MANAUS — Estudantes da Escola Estadual Hermenegildo de Campos estão sem aulas há quase 30 dias, após problemas na rede elétrica levarem a unidade a entrar em reforma. A situação foi identificada durante fiscalização da Defensoria Pública do Amazonas, realizada na sexta-feira (25).
A previsão informada aos pais é de transferência temporária dos alunos para a Escola Estadual Professor Antenor Sarmento, também na Zona Sul de Manaus. Conforme o defensor público Arlindo Gonçalves, a rede de energia não suportou o uso dos aparelhos de ar-condicionado, em razão da condição climática da capital. A paralisação das atividades ocorreu após conversa com a direção da escola.
A vistoria foi conduzida pelo Grupo de Trabalho Intersetorial de Defesa da Educação e Cidadania (Gidec) nas escolas estaduais Hermenegildo de Campos e Maria de Lourdes Rodrigues Arruda. As duas unidades estavam entre as que reuniam o maior número de denúncias apresentadas por pais e professores.
Na Maria de Lourdes Rodrigues Arruda, localizada na Zona Centro-Oeste, aparelhos de ar-condicionado quebrados prejudicam o funcionamento das salas. A escola tem 480 alunos matriculados e passou a operar no modelo de tempo integral. Professores relataram falta de espaço para o descanso dos estudantes, problemas na quadra, que não tem cobertura, e necessidade de reformas nos banheiros e vestiários.
A Defensoria informou que a pintura da quadra foi paga pelos próprios professores. A unidade também tem mais de 15 alunos neurodivergentes e conta com apenas duas professoras auxiliares para acompanhá-los em sala de aula. O calor foi apontado como uma dificuldade para a permanência de estudantes e profissionais no local.
Relatos de famílias e funcionários
Jaiane Mourão, de 35 anos, mãe de uma aluna do 7º ano, afirmou que a filha pede com frequência para não ir à escola por causa do calor. Ela disse também ter protocolado três reclamações na Secretaria de Educação e Desporto sem receber resposta.
Arlindo Gonçalves afirmou que, entre os relatos ouvidos, estavam as dificuldades para estudar em salas quentes e a realização de reparos pelos próprios funcionários. Segundo ele, a fiscalização ocorreu porque pais e professores apresentaram denúncias sobre as condições das escolas.
A visita de sexta-feira foi a segunda realizada pelo Gidec. Na segunda-feira (21), o grupo esteve na Escola Estadual Vasco Vasques, na Zona Leste de Manaus, onde encontrou falta de refrigeração adequada no espaço de armazenamento da merenda. Também foram localizados livros didáticos sem uso ou distribuição, espalhados por diferentes áreas da unidade.
Acompanhamento da educação
Criado em agosto de 2026, o Gidec acompanha, de acordo com a Defensoria, a aplicação dos recursos mínimos obrigatórios em educação e a destinação e utilização do dinheiro. O grupo foi criado após o levantamento mais recente do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) apontar o Amazonas com 3,8 pontos no ensino médio, o menor desempenho do país.
O índice considera o desempenho dos estudantes em Língua Portuguesa e Matemática e as taxas de aprovação escolar. Entre os temas acompanhados pelo grupo estão o piso salarial dos professores, a falta de profissionais, a merenda escolar e a retomada de obras paralisadas de creches e escolas.


