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Polícia prende suspeito de controlar mulher e movimentar suas contas em Campo Grande

Mulher afirma ter sofrido agressões, violência sexual, isolamento e prejuízo de pelo menos R$ 30 mil durante três meses.

Polícia prende suspeito de controlar mulher e movimentar suas contas em Campo Grande
Foto: Reprodução

A polícia prendeu um homem que, segundo uma mulher de 39 anos, usava o nome de Wellington Vieira da Silva e controlava sua rotina, seus contatos e suas contas bancárias. A investigação aponta que a identidade verdadeira dele é Heliton Vargas Portela, de 31 anos. A prisão preventiva foi mantida nesse domingo (13).

A vítima afirma que perdeu pelo menos R$ 30 mil durante os três meses de relacionamento. Ela também relata agressões, violência sexual e isolamento da família. O caso foi registrado como sequestro e cárcere privado, falsa identidade, denunciação caluniosa, violência psicológica contra a mulher e estelionato.

A descoberta na delegacia

A identidade do suspeito foi revelada na sexta-feira (11), quando a mulher compareceu à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) para registrar uma acusação contra o ex-marido e o irmão. A polícia identificou inconsistências no relato e conseguiu conversar com ela sem a presença do celular, que, segundo a vítima, era monitorado pelo namorado.

O homem aguardava nas proximidades, dentro de um carro, com a filha de 8 anos da mulher. Ele foi preso, e a criança foi entregue à mãe. Com o suspeito, os policiais encontraram R$ 2.885 em espécie. A vítima disse que o dinheiro era dela.

A mulher contou que os boletins de ocorrência contra familiares haviam sido registrados sob pressão e voltou atrás na denúncia feita naquele dia. A polícia já tinha conhecimento de uma denúncia encaminhada pelo Ligue 180 que identificava a própria mulher como vítima de Heliton.

“Na verdade, eu senti um alívio. [...] Eu já estava pedindo para Deus me tirar ele dali”, afirmou.

Controle dentro de casa

Os dois se conheceram em maio, pelo Tinder. No início, conforme o relato, o homem se mostrou carinhoso com ela e com os filhos e passou a morar com a família. Depois, começou a afirmar que o ex-marido havia contratado criminosos para matar todos e que a casa poderia ser incendiada.

Ao mesmo tempo em que dizia haver riscos, ele se apresentava como a única pessoa capaz de protegê-los. A mulher trocou de número e de aparelho celular, perdeu autonomia para sair e passou a ser monitorada. Imagens que ele apresentava como conversas da mãe e do ex-companheiro com ataques contra ela podem ter sido produzidas com inteligência artificial, conforme registro policial.

Ela diz que foi obrigada a registrar boletins contra a mãe, o pai, o irmão, o ex-marido e o ex-cunhado. A mãe havia desconfiado da identidade do homem, mas não conseguia mais falar com a filha.

O controle também afetou os filhos. Um deles tem deficiência física e mental e precisa de cuidados. Segundo a mulher, o namorado limitou sua participação nessa rotina, enquanto outro filho, de 15 anos, assumiu parte das tarefas. Ela relata que precisava avisar até quando queria ir ao banheiro ou se levantar durante a madrugada.

“Tudo eu tinha que perguntar. Tudo eu tinha que falar para ele”, disse.

A vítima afirma ter sido agredida três vezes e obrigada a manter relações sexuais pelo menos quatro vezes por dia.

Movimentação financeira

A mulher recebia cerca de R$ 11 mil mensais de pensão alimentícia. Segundo o boletim de ocorrência, o suspeito passou a controlar o celular e os aplicativos bancários, movimentando as contas e realizando saques.

Para justificar a falta do dinheiro, ele dizia que o ex-marido havia interrompido o pagamento da pensão. Também afirmava ter valores retidos pela Receita Federal e prometia comprar uma casa para os dois quando o dinheiro fosse liberado.

Histórico judicial

Informações repassadas pelo Tribunal de Justiça indicam que Heliton aparece em processos criminais em Campo Grande, Ponta Porã, Nova Andradina e Maracaju. Também há cartas precatórias de Nova Londrina (PR) relacionadas a casos de violência doméstica.

Em março deste ano, ele recebeu uma condenação de 6 anos e 4 meses por roubo com uso de faca, em Maracaju. A decisão ainda estava em fase de recurso. Nesse processo, a vítima foi ameaçada e obrigada a acessar o banco, contratar um empréstimo e transferir R$ 25 mil para Heliton.

Após a prisão, a mulher voltou para casa e tenta retomar a convivência com os familiares e a rotina com os filhos. Ela afirma que ainda sente medo, mas define como “De liberdade” o que sente agora que o homem não está mais dentro da residência.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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