Turquia e Austrália apresentarão aos países participantes da COP31 uma proposta de ações para tentar manter a meta de limitar o aquecimento global a 1,5 ºC em relação à era pré-industrial. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (8), durante o encerramento de uma reunião preparatória nas ilhas Fiji e Tuvalu.
A proposta será apresentada como uma decisão promovida pela presidência da conferência, com o texto preparado antes do início do evento. Segundo os organizadores, o formato pode criar uma agenda de medidas e reduzir o tempo das negociações, que costumam avançar por duas semanas e terminar durante a madrugada.
O documento deve priorizar medidas vinculantes. Entre as possibilidades está a proposta turca de ampliar a eletrificação da economia, substituindo tecnologias baseadas em combustíveis fósseis por alternativas mais limpas.
A COP31 será realizada de 9 a 20 de novembro, na cidade turca de Antália. O ministro do Clima da Austrália, Chris Bowen, responsável por liderar as negociações, afirmou que o modelo pode aumentar as chances de um resultado ambicioso. Para ele, a conferência precisa enviar uma mensagem de que a meta de 1,5 ºC ainda pode ser mantida.
A Organização das Nações Unidas alertou em setembro que esse limite pode ser ultrapassado em poucos anos. A entidade defendeu a intensificação dos esforços para reduzir o período de ultrapassagem.
Financiamento e críticas à Austrália
Na reunião em Fiji e Tuvalu, líderes regionais pediram que o financiamento ocupe o topo da agenda da COP31. O objetivo é acelerar a liberação de recursos para adaptação à mudança climática, especialmente em uma região vulnerável à elevação do nível do mar.
Na quarta-feira (7), a Austrália anunciou ajuda de 2 milhões de dólares australianos, equivalentes a R$ 6,95 milhões, para projetos de estradas e comunicações em Papua-Nova Guiné, Fiji, Kiribati e Tuvalu.
O país é acusado por seus vizinhos insulares de hipocrisia por defender energias renováveis enquanto sua economia mantém forte participação na exportação de carvão. A Austrália é o segundo maior exportador mundial do combustível fóssil.
Um relatório da ONU publicado em agosto informou que os níveis do mar sobem em ritmo recorde por causa do aquecimento dos oceanos e do derretimento das geleiras. Até 1,2 bilhão de pessoas podem ser deslocadas até 2050.


