A baixa cobertura vacinal e o aumento das viagens associados a eventos religiosos de massa ampliam o risco de circulação do sarampo na América do Sul, segundo avaliação regional da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), publicada na última sexta (9). A entidade recomenda que os países reforcem a imunização, a vigilância e a capacidade de resposta rápida aos casos.
Entre 4 de janeiro e 3 de outubro, foram confirmados 55.792 casos de sarampo e 77 mortes em 17 países e territórios da região. O número representa um aumento de 4,8 vezes em relação ao mesmo período de 2025.
Países mais afetados
A Guatemala concentrou o maior número de casos, seguida por México, Estados Unidos, Peru e Canadá. Esses cinco países reuniram 99,5% dos registros confirmados. Também foram identificadas ocorrências na Argentina, em Belize, na Bolívia, no Brasil, no Chile, na Colômbia, na Costa Rica, em El Salvador, em Honduras, no Panamá e no Uruguai.
A Opas informou que os registros da doença também cresceram globalmente em 2026. Esse cenário aumenta a possibilidade de casos importados por viagens internacionais e de transmissão posterior em comunidades com baixa imunidade.
Orientação para viajantes
O sarampo é transmitido pelo ar e pode provocar febre alta, tosse, coriza, conjuntivite e manchas avermelhadas na pele. Os sinais geralmente aparecem entre 7 e 14 dias depois da exposição. A transmissão ocorre quando uma pessoa infectada tosse, espirra, fala ou respira.
Como o vírus pode ser transmitido antes do surgimento da erupção cutânea, pessoas infectadas podem expor outras sem saber. A concentração de participantes e o deslocamento entre países e comunidades favorecem a introdução e a disseminação da doença em locais com baixa imunidade.
Daniel Salas, gerente executivo do Programa Especial de Imunização Integral da Opas, orienta quem pretende participar de eventos de massa a verificar a proteção contra o sarampo, inclusive em viagens dentro do próprio país. Pessoas a partir de 6 meses sem comprovação de vacinação devem receber uma dose antes da viagem ou do evento, de preferência pelo menos duas semanas antes.
Cobertura vacinal
Em 2025, a cobertura regional foi de 88% para a primeira dose da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, rubéola e caxumba, e de 85% para a segunda. Os índices ficaram abaixo dos 95% considerados necessários para prevenir surtos.
A Opas atribui as lacunas a atrasos na imunização acumulados durante a pandemia de Covid, à hesitação vacinal em algumas comunidades, a dificuldades operacionais e a barreiras de acesso aos serviços de saúde. Os impactos atingem especialmente povos indígenas, migrantes e populações deslocadas. A estimativa é que aproximadamente 1,6 milhão de crianças não tenha recebido nenhuma dose da vacina contra o sarampo nas Américas em 2025.
O diretor da Opas, Jarbas Barbosa, reforça a necessidade de que as famílias vacinem seus filhos com a tríplice viral diante da alta capacidade de transmissão do sarampo.

