Seis hospitais dos Estados Unidos firmaram acordos com o Departamento de Justiça para encerrar uma investigação sobre possíveis violações legais ligadas a práticas de faturamento e fraude contra consumidores. Como parte dos compromissos, as instituições deixaram de oferecer tratamentos de transição de gênero a adolescentes e aceitaram pagar multas.
Alguns dos hospitais também oferecerão atendimento médico gratuito a ex-pacientes que busquem tratar efeitos colaterais ou realizar uma “destransição”. A maioria dos acordos não foi divulgada. Entre as instituições que haviam firmado compromissos até maio estão o UPMC Children’s Hospital of Pittsburgh, o Mount Sinai Health System, o Texas Children’s Hospital, a Cleveland Clinic, o New York University Langone Hospital e o Connecticut Children’s Medical Center.
A série de acordos envolve unidades localizadas em Nova York, Pensilvânia e Connecticut, estados que apoiam o acesso a esses tratamentos. Representantes de alguns hospitais disseram que os compromissos foram firmados para evitar disputas judiciais prolongadas com o governo federal e impedir a divulgação de dados pessoais de pacientes solicitados pelas autoridades.
Pressão do governo
Desde o início de 2025, o governo Donald Trump tem adotado medidas financeiras e jurídicas contra prestadores de serviços de saúde para interromper esses tratamentos nos 24 estados em que eles são permitidos. Muitos hospitais já haviam suspendido os procedimentos, citando a pressão governamental.
O governo afirma que os possíveis danos da transição de gênero para jovens superam os benefícios e que hospitais cobraram valores excessivos com o objetivo de lucrar. Para especialistas jurídicos e defensores das pessoas transgênero, os novos acordos dão caráter definitivo à interrupção dos serviços.
Em comunicado divulgado na sexta-feira (18), o procurador-geral Todd Blanche afirmou que hospitais que submetem crianças a essas práticas e obtêm fraudulentamente o pagamento pelos procedimentos serão responsabilizados. Ele também disse que o Departamento de Justiça continua buscando acordos com outras instituições.
Críticos acusam o departamento de levantar questões financeiras para intimidar hospitais e fazê-los encerrar serviços permitidos nos estados onde atuam. Outros criticam as próprias instituições e afirmam que elas cederam às exigências do governo em prejuízo dos pacientes.


