A confiança dos norte-americanos na vacina contra sarampo, caxumba e rubéola caiu nos últimos anos, enquanto os Estados Unidos enfrentam o maior número de casos da doença em 35 anos. Um levantamento nacional concluído na segunda-feira (14) mostrou que 76% dos entrevistados consideram as vacinas seguras para crianças, abaixo dos 84% registrados em maio de 2020.
Apesar da redução, a maioria dos adultos ouvidos continua apoiando a vacinação infantil contra o sarampo. A queda foi mais acentuada entre republicanos. A doença havia praticamente desaparecido dos Estados Unidos por mais de duas décadas, mas voltou a avançar após a diminuição das taxas de imunização.
Casos e cobertura vacinal
Pensilvânia, Utah e Carolina do Sul registram surtos neste ano. A Pensilvânia anunciou três mortes relacionadas ao sarampo nas últimas semanas. Ao todo, os Estados Unidos contabilizaram mais de 3.000 casos confirmados no período, o maior total em 35 anos.
A vacina combinada contra sarampo, caxumba e rubéola tem 97% de eficácia na prevenção da infecção após duas doses. A aplicação costuma ocorrer entre 12 e 15 meses de idade e novamente entre 4 e 6 anos.
Dados do CDC indicam que a cobertura média entre crianças do jardim de infância caiu para 92,5% no ano passado. O índice ficou abaixo dos 95% considerados necessários por especialistas para alcançar a imunidade coletiva e proteger pessoas que não podem receber a vacina.
Avaliação do governo
O presidente Donald Trump assinou, em agosto, um decreto que prevê reduzir de 17 para 11 o número de imunizações do calendário federal de vacinação infantil. Robert F. Kennedy Jr., secretário de Saúde e antigo ativista antivacina, tem pressionado por uma redução no número de vacinas destinadas às crianças.
O levantamento também mostrou que 19% dos norte-americanos aprovam a forma como Trump conduz o surto de sarampo, enquanto 52% desaprovam. A pesquisa foi feita pela internet, com 1.143 adultos, e teve margem de erro de 3 pontos percentuais.


