A cobertura vacinal entre crianças no jardim de infância dos Estados Unidos caiu para 92,5% no ano passado, abaixo dos 95% considerados necessários por especialistas para proteger também pessoas que não podem ser imunizadas. No mesmo período, o país registrou mais de 3 mil infecções confirmadas por sarampo, o maior número em 35 anos.
A pesquisa nacional, feita on-line com 1.143 adultos, indica que 76% dos entrevistados consideram seguras para crianças as vacinas contra sarampo, caxumba e rubéola. O percentual era de 84% em maio de 2020. A perda de confiança foi maior entre os republicanos.
Estados com surtos
Pensilvânia, Utah e Carolina do Sul registram surtos neste ano. A Pensilvânia anunciou três mortes relacionadas ao sarampo nas últimas semanas, depois de ter informado duas mortes no mês passado.
O sarampo pode provocar febre, erupções cutâneas e problemas respiratórios. A vacina tríplice viral tem eficácia de 97% na prevenção da infecção após duas doses. A primeira costuma ser aplicada entre os 12 e os 15 meses de idade, e a segunda, entre os 4 e os 6 anos.
A doença permaneceu praticamente ausente dos Estados Unidos por mais de duas décadas, mas voltou a se disseminar após a redução das taxas de vacinação. O país pode perder ainda neste ano o status de livre da circulação endêmica do sarampo, depois que surtos iniciados no ano passado levaram à transmissão contínua.
Avaliação do governo
Apenas 19% dos americanos aprovam a forma como Donald Trump lida com o surto, enquanto 52% desaprovam. Sobre qual partido tem a melhor abordagem para conter doenças infecciosas como o sarampo, os eleitores registrados escolheram os democratas por 45% a 25% em relação aos republicanos.
Trump assinou em agosto uma ordem executiva para reduzir de 17 para 11 o número de imunizações previstas no calendário federal de vacinação infantil. Robert F. Kennedy Jr., secretário da Saúde e principal autoridade de saúde do governo, defende a redução do número de vacinas para crianças.
Cerca de 31% dos eleitores disseram estar muito preocupados com os surtos de sarampo, ante 58% que manifestaram a mesma preocupação com o custo de vida. A margem de erro da pesquisa foi de 3 pontos percentuais.


