BRASÍLIA — O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou que a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), participou da negociação para que o Banco de Brasília (BRB) comprasse o Banco Master, em 2025. A declaração aparece em mensagens trocadas com o publicitário Thiago Miranda em 5 de abril de 2025, oito dias depois de o conselho de administração do BRB aprovar a compra de 58% das ações do Master.
As mensagens não registram conversas diretas entre Vorcaro e Celina nem descrevem qual teria sido a participação da governadora. O diálogo começou depois que Miranda enviou a Vorcaro uma reportagem sobre o desconforto no governo do Distrito Federal causado pela operação. À época, Celina era vice-governadora e havia dito que não tinha sido consultada.
Miranda afirmou que Celina buscava se projetar politicamente por ter ficado fora do negócio. Vorcaro contestou essa interpretação: “Não ficou de fora não. Isso aí é jogo pra se preservar na política”. Em seguida, disse que a discussão política não era sua principal preocupação e que o problema seria a perda de credibilidade dele e do Master.
Versão apresentada por Celina
Em declaração divulgada após a publicação das mensagens, Celina afirmou que o diálogo entre terceiros reforça sua posição contrária à compra do Master pelo BRB. A governadora também disse que a operação ocorreu em março de 2025, quando ainda era vice de Ibaneis Rocha, e que havia se manifestado contra o negócio.
Na ocasião, Celina declarou: “Não tenho conhecimento sobre a operação [de compra do Banco Master], não fui consultada, fiquei sabendo pela imprensa”. Ela assumiu o governo em março e é candidata à reeleição. Gustavo Rocha (Republicanos), seu candidato a vice-governador, foi secretário-chefe da Casa Civil na gestão de Ibaneis.
Celina tem repetido que não sabia da operação e que não mantinha contato com Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB, que está preso. Em debate promovido pelo portal Metrópoles no último dia 10, afirmou que seu nome não aparecia na agenda telefônica de Vorcaro nem nas conversas divulgadas.
Reações e situação do BRB
Depois da divulgação das mensagens, o deputado distrital Gabriel Magno (PT), líder da minoria, protocolou pedido de impeachment contra Celina na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Fábio Félix (PSOL) solicitou ao Ministério Público uma investigação sobre a acusação feita por Vorcaro.
A compra de carteiras de crédito falsas do Master e a tentativa de aquisição do banco geraram um rombo no BRB, cujo principal acionista é o Governo do Distrito Federal. O prejuízo final ainda não foi definido, porque o banco não publica balanços completos desde agosto do ano passado, quando divulgou dados do segundo semestre. A instituição corre o risco de sofrer intervenção do Banco Central.
Investigações da Polícia Federal apontaram que o BRB transferiu cerca de R$ 17 bilhões ao Master. Desse total, aproximadamente R$ 12,2 bilhões correspondiam a títulos falsos. O governo local busca um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões com garantia da União para cobrir o prejuízo. Na semana passada, o ministro do STF Luiz Fux deu 15 dias para o governo federal, o Banco Central e o FGC se manifestarem sobre o pedido.

