BRASÍLIA — A crise do BRB ganhou novo capítulo após a troca de acusações entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP). Lula disse que o governo federal não ajudará na recuperação financeira do banco e acusou a governadora de cinismo. Celina respondeu nas redes sociais que o presidente quer “quebrar o BRB”.
Um dia depois das declarações, cinco entidades do setor produtivo do Distrito Federal divulgaram um manifesto em defesa de uma saída coordenada para a instituição. O documento pede diálogo entre as instituições e cooperação na busca de uma solução para a crise associada à compra de carteiras fraudulentas do Banco Master, de Daniel Vorcaro.
As organizações afirmam que o BRB tem participação no financiamento de empresas, na oferta de crédito, na criação de empregos e no suporte a serviços e programas públicos. Também declararam disposição para colaborar com o restabelecimento da solidez do banco.
Apuração e governança
O manifesto sustenta que eventuais irregularidades devem ser examinadas pelas autoridades competentes, com rigor técnico e apuração responsável. As entidades também defendem que as alternativas para o banco preservem a estabilidade da instituição, a continuidade das operações e os interesses da sociedade.
Para as organizações, as decisões sobre o BRB devem seguir critérios técnicos e de governança, sem vínculo com disputas partidárias ou calendários eleitorais. O documento afirma que instituições de desenvolvimento permanecem além de mandatos e governos e integram o patrimônio econômico de Brasília.
Assinam o texto a Ademi-DF, a Asbraco, a Codese/DF, a Fecomércio-DF e o Sinduscon-DF.
Empréstimo em análise
O BRB enfrenta crise de capital e liquidez depois da aquisição das carteiras fraudulentas do Banco Master. Para apoiar o banco, o Governo do Distrito Federal tenta viabilizar um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões do FGC.
Um acordo no STF estabeleceu que as principais instituições financeiras do país seriam fiadoras da operação. As contragarantias seriam formadas com recursos do FPE e do FPM, destinados a ressarcir os bancos em caso de inadimplência.
Como o desenho não avançou, o governo distrital apresentou nova ação para pedir ao Supremo que obrigue a União a ser fiadora do empréstimo. O ministro Luiz Fux determinou que o governo federal, o Banco Central e o FGC se manifestem em 15 dias sucessivos, prazo que pode chegar a 45 dias.


