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Política

Afastamento de Andrei expõe disputa sobre autonomia e direção das investigações da PF

Decisão de André Mendonça foi submetida ao STF após meses de tensão com Andrei Rodrigues e críticas sobre a atuação da Polícia Federal.

Afastamento de Andrei expõe disputa sobre autonomia e direção das investigações da PF

A votação do afastamento de Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal formou maioria no STF em menos de dez minutos. Kassio Nunes Marques e Luiz Fux acompanharam integralmente a decisão de André Mendonça, enquanto Gilmar Mendes pediu vista logo após a abertura da sessão virtual, às 10h desta terça-feira (8). A participação de Dias Toffoli ainda é incerta, porque ele se declarou suspeito em casos relacionados ao Master.

A medida havia sido colocada em discussão antes da divulgação do relatório de inteligência que agravou o conflito entre Mendonça e Alexandre de Moraes. No início de agosto, Mendonça sinalizou ao presidente do Supremo, Edson Fachin, que poderia ser necessário afastar Rodrigues. O ministro suspeitava que o diretor-geral atuasse com viés político para proteger a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva.

Tentativas de conter o conflito

Fachin manteve conversas com Mendonça, Rodrigues e o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima e Silva. Os encontros foram descritos por um interlocutor como “audiências para aparar arestas”. O presidente do STF também afirmou a auxiliares que buscava preservar as instituições e admitiu preocupação com os rumos da crise.

Em uma reunião intermediada pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, Mendonça chegou a indicar que pretendia recompor a relação com Rodrigues e deixou temporariamente de lado o afastamento. A tensão, porém, continuou. O ministro reclamava da demora da PF no caso de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, enquanto o diretor-geral criticava o que considerava intromissão na autonomia da corporação, incluindo ordens para acessar o acervo bruto das provas.

O impasse também envolveu a estrutura dos gabinetes do Supremo. Gilmar Mendes propôs uma alteração no regimento interno para impedir a cessão de servidores das carreiras policiais a gabinetes de ministros, tanto na instrução de inquéritos quanto no assessoramento jurídico. Um ministro alinhado a Moraes sugeriu a Fachin que Mendonça poderia estar sendo influenciado por delegados cedidos ao seu gabinete e críticos de Rodrigues.

Relatório e afastamento

A intenção de retirar Rodrigues do cargo ganhou força novamente quando Moraes acusou Mendonça de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. As acusações se basearam em um relatório de inteligência atribuído à ala da PF ligada ao diretor-geral.

O documento surgiu depois de Mendonça expor mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, a um interlocutor apontado como Moraes. Nas conversas, Vorcaro pediu informações sobre as investigações e perguntou se deveria deixar o país. O relatório afirmou que Mendonça teria interferido em provas apreendidas e direcionado apurações contra Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

Mendonça considerou o material inválido e indicou que a PF o monitorou por pelo menos 30 dias em 2026. Na decisão, afirmou que “a superlativa gravidade e ilicitude” na produção dos relatórios exigia providências imediatas. Para o ministro, setores da PF alinhados a Rodrigues e, consequentemente, a Moraes, teriam produzido documentos para descredibilizar o trabalho de delegados e agentes envolvidos no caso Master.

Divergências sobre as apurações

Os atritos entre Mendonça e Rodrigues remontam ao começo das investigações das operações Sem Desconto e Compliance Zero. O ministro se queixou de alterações na equipe e na estrutura das apurações sem comunicação prévia.

Integrantes da cúpula da PF afirmam que a abertura de três frentes de investigação contra Lulinha e uma operação contra o senador Jaques Wagner demonstram que não houve uso político das apurações. Eles também citam os prazos para autorizar diligências: nove dias no caso de Wagner, 29 dias para Ciro Nogueira e 75 dias para Claudio Castro.

Mendonça afirma a pessoas próximas que atua com cautela e independência, sem se submeter a pressões. O ministro costuma dizer que sua motivação é “fazer o que é certo” e que busca preservar a integridade das investigações dentro do devido processo legal.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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