FORTALEZA — A eleição para o governo do Ceará chega à reta final marcada pela disputa entre o ex-governador Ciro Gomes (PSDB) e o governador Elmano de Freitas (PT), antigos aliados que passaram a trocar acusações durante a campanha. Os dois também se enfrentaram em debates televisivos, incluindo um episódio em que discutiram com os dedos em riste.
Pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (18) aponta Ciro com 47% das intenções de voto, ante 40% de Elmano. O ex-governador tenta reconstruir sua trajetória política no estado, onde iniciou sua carreira, depois de disputar quatro eleições presidenciais. De volta ao PSDB após três décadas, formou uma aliança com União Brasil, PP e PL e manteve neutralidade na eleição presidencial.
A aproximação com o PL, porém, é parte central da estratégia de Ciro. Na terça-feira (15), ele não participou do palanque de Flávio Bolsonaro (PL) e André Fernandes (PL), que fizeram campanha em Fortaleza, mas afirmou que os presidenciáveis eram bem-vindos no Ceará. “Nós estamos numa democracia. Esse estado aqui é libertário, gosta de receber todo mundo, as pessoas têm que respeitar”, disse.
Ciro também pediu votos para André Fernandes, candidato a deputado federal, e para Alcides Fernandes (PL), candidato ao Senado e pai de André. O ex-governador solicitou que André se tornasse o deputado federal mais votado da história do Ceará, superando seu próprio recorde de 2006, quando recebeu 667 mil votos. O PL, embora faça campanha de forma independente, também pede votos para Ciro.
Disputa entre as militâncias
No Conjunto Ceará, periferia de Fortaleza, André Fernandes reuniu jovens em um ato convocado pelas redes sociais. Motos chegaram antes do candidato, enquanto músicas do “Bloco do 22” eram usadas para dançar e gravar vídeos. O deputado liderou um comício com jingles de oposição ao PT e tornou-se um elo entre Ciro e o eleitorado mais jovem. Entre pessoas de 16 a 24 anos, Ciro registra 54%, contra 30% de Elmano, conforme o Datafolha.
Camilo Santana (PT), ex-governador e não candidato, participou no mesmo dia de um encontro com prefeitos, vice-prefeitos e vereadores em Canindé. Depois, seguiu para uma procissão em Juazeiro do Norte. A mobilização faz parte da articulação de aliados de Elmano para as últimas semanas da campanha.
A segurança pública é um dos principais temas da disputa. Ciro diz que pretende “salvar o Ceará” das facções criminosas e critica Elmano, a quem acusa de ser frouxo no combate ao crime organizado. O governador responde que as facções começaram a avançar no estado no início dos anos 1990, período em que Ciro governava o Ceará.
Elmano também usa peças que associam o adversário a Jair Bolsonaro, com a expressão “Cironaro”. Ciro tentou impedir a divulgação do material na Justiça. O governador afirmou estar decepcionado com o ex-aliado e disse que ele havia mudado de lado na política.
A campanha petista adotou uma agenda distribuída entre diferentes aliados. Elmano participa de debates, caminhadas e carreatas; a candidata a vice, Gabriella Aguiar (PSD), coordena atos com mulheres; e Camilo concentra-se na articulação política.
Na sexta-feira (18), Elmano caminhou pela Comunidade Renascer, no Mondubim, ao lado do prefeito Evandro Leitão (PT). O governador entrou em casas e percorreu vielas, em uma região onde, segundo o Datafolha, lidera entre eleitores com mais de 60 anos. À noite, uma carreata passou por Aracapé, Conjunto Esperança, Parque Santa Rosa e Parque Presidente Vargas.
Em discurso, Elmano declarou confiar na vitória do PT e defendeu uma mobilização até o fim da campanha: “Vamos para a rua trabalhar voto a voto”.


