A colaboração premiada do empresário Antonio Carlos Freixo Júnior à Procuradoria-Geral da República (PGR) detalha transferências internacionais e pagamentos em dinheiro realizados a pedido de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Entre os destinatários citados está o fundo Havengate, sediado no Texas, nos Estados Unidos.
Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro” e proprietário da Entre Investimentos e Participações, afirmou aos investigadores que não sabia que os recursos enviados ao Havengate seriam usados na produção do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O fundo é administrado pelo advogado de imigração Paulo Calixto, apontado como próximo do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O acordo de colaboração foi encaminhado ao ministro André Mendonça, relator do caso Master, mas ainda precisa ser homologado. Não há prazo definido para a decisão.
As informações podem auxiliar o rastreamento da movimentação financeira do Havengate e embasar eventuais pedidos de cooperação entre autoridades brasileiras e norte-americanas. A Polícia Federal e a PGR investigam se todos os valores repassados por Vorcaro foram usados na produção do filme ou se parte deles custeou despesas de Eduardo Bolsonaro no exterior.
Transferências e financiamento do filme
A Entre Investimentos teria feito pelo menos sete pagamentos ao Havengate. Um deles ocorreu em 16 de setembro de 2025, meses depois de Flávio Bolsonaro afirmar que os repasses para o filme haviam sido encerrados.
Mensagens atribuídas a Vorcaro indicam que ele orientou o cunhado, Fabiano Zettel, apontado pelos investigadores como seu operador financeiro, a usar a Entre Investimentos para efetuar pagamentos em dólar. Em seguida, Zettel teria perguntado se poderia “pedir pro Minas”, em referência a Freixo Júnior. Na sequência, foi enviado um comprovante de transferência de US$ 2 milhões para um fundo ligado à produção.
Também é investigado um pagamento de R$ 2,329 milhões feito pelo Banco Master à Entre Investimentos em 2025. O valor consta das declarações de Imposto de Renda do banco compartilhadas com a CPI do Crime Organizado.
Uma perícia privada contratada pela Go Up Entertainment apontou que 72% das despesas de “Dark Horse” ocorreram nos Estados Unidos, embora as filmagens tenham sido realizadas no Brasil.
Freixo Júnior não está preso e não usa tornozeleira eletrônica. A defesa dele não foi localizada para comentar o caso.


