Erika Hilton afirmou que poderá deixar o PSOL e ingressar no PT em 2027, caso não consiga chegar a um entendimento com a direção de seu partido sobre os próximos passos. A deputada disse que já conversou com algumas legendas, incluindo o PT, mas ainda não iniciou uma negociação com o PSOL nem avançou nas conversas com os petistas.
A possibilidade de mudança foi apresentada como uma alternativa. Hilton declarou que permanecerá no PSOL se houver uma conversa tranquila sobre a situação da legenda, que não superou a cláusula de barreira. Para ela, o partido cometeu erros na definição de sua estratégia eleitoral.
Críticas à estratégia do PSOL
Entre os pontos mencionados estão a decisão de não formar uma federação com o PT, a forma de redistribuição do fundo partidário e o baixo financiamento de candidaturas com potencial eleitoral. Hilton citou Sofia Favero, candidata a deputada estadual, como exemplo de campanha que recebeu poucos recursos.
A deputada também criticou a escolha de financiar candidaturas com alto volume de recursos e baixa expectativa de votação, enquanto outras lideranças deixaram de receber apoio. Na avaliação dela, a decisão prejudicou o desempenho do PSOL e dificultou a superação da cláusula de barreira.
Hilton rejeitou a ideia de que tenha ocorrido um racha no partido. Segundo ela, houve divergência entre os grupos que defendiam uma federação com o PT e os que tinham outra avaliação. O grupo contrário à federação venceu, e essa decisão foi aceita, afirmou.
Comunicação de Lula
Sobre a campanha presidencial, a deputada disse que a comunicação de Lula poderia ter explorado mais a imagem e as realizações do presidente no primeiro turno. Ela avaliou, porém, que houve acertos nas agendas, nos programas e nas entregas.
Para o segundo turno, Hilton defendeu maior presença de Lula nas redes sociais e uma comunicação mais voltada aos riscos que atribui à eleição de Flávio Bolsonaro. Ela citou os vídeos em formato selfie como uma iniciativa que já apresentou resultado positivo.
Redes sociais e votação
Hilton atribuiu sua votação às pautas que desenvolveu, incluindo o fim da escala 6x1, a pesquisa “Mulheres na Ciência”, meio ambiente, direitos de crianças e adolescentes, combate à violência contra a mulher e segurança pública. Também apontou o uso das redes sociais como fator de alcance de sua campanha.
A deputada foi a mulher mais votada entre os deputados federais eleitos em 2026 e ficou em terceiro lugar no ranking geral, com 1,5 milhão de votos. Ela disse que Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato se beneficiaram de uma política ainda marcada por símbolos masculinos e brancos e pelo uso do ódio contra minorias sociais.
Hilton afirmou que a capacidade de mobilização nas redes pode ser um ponto em comum entre os três parlamentares, embora tenha rejeitado outras semelhanças. “Me dá uma certa ojeriza, um certo horror”, declarou ao comentar a possibilidade de ter algo em comum com os dois deputados.
Congresso e ameaças
A deputada avaliou que o próximo Congresso será mais difícil do que o anterior e classificou o avanço eleitoral como resultado de uma extrema direita que, segundo ela, pressionou a direita tradicional.
Sobre o fim da escala 6x1, Hilton disse haver possibilidade de avanço se a discussão chegar ao plenário do Senado ainda no segundo turno. Ela mencionou uma declaração de Davi Alcolumbre sobre a manutenção da votação e afirmou que continuará defendendo a medida.
Hilton também relatou que recebeu uma ameaça de morte por e-mail no dia do primeiro turno. Disse que não consegue contabilizar todos os episódios e que há períodos de ameaças quase diárias, semanais ou mensais. A deputada afirmou andar escoltada 24 horas, usar carro blindado e viver sob proteção intensa.
Eleita deputada federal em 2022, Hilton foi a vereadora mais votada na cidade de São Paulo em 2020. Ela tem 33 anos.


