GOIÂNIA — O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, acusou integrantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) de colaborar com o PT na disseminação de publicações falsas sobre Nossa Senhora Aparecida. O boato afirma que ele pretende retirar da santa o título de padroeira do Brasil.
Após uma carreata em Goiânia, Flávio disse que a acusação teria sido levantada pelo PT e disseminada com ajuda de pessoas dentro da CNBB. A entidade negou a participação.
“A CNBB não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao atual processo eleitoral”, afirmou a instituição em nota. A conferência também disse não integrar estrutura político-partidária e declarou que atribuir a ela a produção ou a disseminação de desinformação sem provas a atinge injustamente. “A mentira não se combate com outra mentira”, acrescentou.
O senador afirmou que o boato demonstra desespero da campanha adversária e disse que pessoas responsáveis pela divulgação deverão ser responsabilizadas por crimes eleitorais. Ele também criticou a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que anulou uma ordem do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e liberou uma publicação do humorista Antonio Tabet sobre o caso.
Decisões judiciais
O boato começou a circular na semana passada e atribuía a grupos evangélicos ligados a Flávio a intenção de retirar o título da santa. Na noite de quinta-feira (24), Tabet publicou no X uma imagem de Nossa Senhora Aparecida com uma frase crítica à família do senador.
Na sexta-feira (25), o ministro André Mendonça, do STF e vice-presidente do TSE, acolheu uma representação da campanha, determinou a remoção da publicação e proibiu novos posts com o mesmo teor, sob pena de multa de R$ 30 mil. A decisão preservava críticas, sátiras e opiniões. Dino derrubou a ordem sob o argumento de que a publicação não mencionava o senador nem seus familiares pelo nome.
A assessoria jurídica de Flávio acusou Dino de ultrapassar a competência da Justiça Eleitoral. A campanha também classificou a decisão como absurda e afirmou que o ministro atuou como operador político de Lula. O coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, medidas para impedir que a corte se transforme em um tribunal de exceção eleitoral.
O primeiro turno será no próximo domingo (4).


