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Política

Flávio Bolsonaro é confrontado com fatos sobre seis declarações durante sabatina

Entrevista de 40 minutos abordou golpe de Estado, urnas eletrônicas, clima, financiamento, tarifaço e Adriano da Nóbrega.

Jornal Nacional: Flávio Bolsonaro mentiu e foi “corrigido” por Tralli e Renata Vasconcellos ao menos 6 vezes
Foto: Manoella Mello/Divulgação TV Globo

Durante sabatina na Globo, Flávio Bolsonaro foi confrontado com fatos sobre golpe de Estado, urnas eletrônicas, mudanças climáticas, financiamento de filme, tarifaço e Adriano da Nóbrega. Em um dos episódios, reconheceu que havia “falado errado”.

Flávio Bolsonaro (PL) entrou no estúdio da Globo na noite de sexta-feira (28) para apresentar sua versão sobre os principais assuntos relacionados à candidatura à Presidência. Ao longo de 40 minutos de entrevista com César Tralli e Renata Vasconcellos, no entanto, o candidato teve de responder a informações que contrariavam declarações feitas por ele em ao menos seis situações.

A íntegra da entrevista foi examinada a partir dos vídeos e da transcrição. O cruzamento entre as falas e o conteúdo audiovisual aponta ao menos seis momentos em que Tralli ou Renata corrigiram, contestaram ou expuseram informações que contrariavam diretamente afirmações de Flávio.

O levantamento considera como correção não somente os casos em que os jornalistas afirmaram literalmente que algo não era verdade, mas também as situações em que apresentaram documentos, dados, informações oficiais ou evidências científicas incompatíveis com uma declaração factual do candidato.

Os seis momentos da entrevista

1. A tentativa de golpe não foi uma “farsa”

Um dos episódios mais contundentes ocorreu quando Flávio tentou desqualificar as investigações sobre a tentativa de golpe de Estado durante o governo de Jair Bolsonaro.

O candidato classificou o processo como uma “grande farsa” e disse que teria sido montada uma “montagem” para condenar seu pai e outras pessoas envolvidas.

Tralli respondeu à versão apresentada por Flávio com os elementos reunidos pela investigação da Polícia Federal. Entre eles estava o documento encontrado na casa do coronel Mauro Cid, com detalhes sobre um plano para assassinar o presidente Lula, o vice Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes.

A discussão, portanto, não envolvia apenas posições políticas divergentes. Havia um documento apreendido pela PF e incorporado à investigação, além de depoimentos e outros elementos usados como base para as condenações.

Mesmo diante das provas acolhidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio manteve a afirmação de que tudo seria uma armação. O tribunal condenou seu pai, Jair Bolsonaro (PL), a 27 anos e 3 meses de prisão por liderar a organização criminosa que tentou um golpe de Estado.

2. “A empresa venezuelana não fabricou as urnas”: o recuo de Flávio

Esse foi o caso mais explícito da entrevista. Renata lembrou que Flávio havia declarado que as urnas eletrônicas brasileiras eram produzidas por uma empresa venezuelana, informação já desmentida pelo Tribunal Superior Eleitoral.

A jornalista apresentou a declaração anterior ao candidato e perguntou sobre o conteúdo da fala. Flávio recuou: “Falei errado, ela não fabricou as urnas”.

Nesse episódio, a admissão tem peso específico porque não depende de uma interpretação externa sobre a resposta. O próprio candidato reconheceu que havia mentido.

3. Aquecimento global: “saneamento básico” para afastar o tema

Outro momento ocorreu quando Renata perguntou a Flávio sobre sua posição a respeito das mudanças climáticas. A questão era se, diante das evidências científicas sobre o aquecimento global, o assunto não deveria aparecer de modo mais claro em seu plano de governo.

Em vez de responder diretamente se reconhecia a existência do aquecimento global e a participação humana nesse processo, Flávio direcionou a resposta para saneamento básico, esgoto, lixões e eventos climáticos extremos. Renata retomou o ponto:

“Então, deixa eu só entender, então, o senhor acha que não tem aquecimento global? Não existe?”

Depois que Flávio mencionou ciclos climáticos, a jornalista voltou a questioná-lo sobre o tema e perguntou se essa posição não significava negar as evidências científicas.

Nesse caso, o debate não se limitava a opiniões distintas. A existência do aquecimento global e a influência humana sobre o clima são questões científicas sustentadas por evidências acumuladas.

4. A carta a Trump e o tarifaço

O quarto episódio tratou do tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump ao Brasil. Flávio procurou apresentar sua atuação nos Estados Unidos como uma iniciativa destinada a cancelar as tarifas e proteger empresas brasileiras.

Renata, porém, utilizou o documento apresentado pelo próprio candidato para apontar uma diferença central. A carta não solicitava o encerramento da investigação nem o cancelamento imediato da medida. O pedido era para adiar sua implementação.

A jornalista afirmou: “Na carta (…) não se pede (…) que se encerre a investigação. Pede-se adiar a implementação da medida”. Também observou que a investigação citada no documento já havia sido concluída.

Flávio tentou manter sua interpretação, mas o conteúdo do documento apresentado por Renata contrariava a descrição que ele havia feito de sua própria atuação.

5. A prestação de contas do filme “Dark Horse”

O primeiro grande bloco da entrevista tratou da relação de Flávio com Daniel Vorcaro e do financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro.

Flávio declarou que a prestação de contas do projeto havia sido realizada e que os dados estavam disponíveis ao público.

Tralli apresentou, então, um contraponto: a informação disponível era de que o perito contratado para examinar os dados não teve acesso ao fundo americano e não conseguiu esclarecer integralmente a origem e o destino dos recursos.

Assim, a questão não era apenas saber se havia algum documento publicado, mas se o material disponível permitia esclarecer a origem e o percurso dos R$ 61 milhões associados ao financiamento.

A discussão surgiu justamente quando Flávio tentava encerrar o assunto da prestação de contas como se ele já estivesse completamente esclarecido. O candidato também se recusou a apresentar o suposto “contrato” com Daniel Vorcaro, que havia prometido fornecer no dia 19 de maio.

6. Adriano da Nóbrega já era alvo de acusações quando foi homenageado

O sexto episódio envolveu Adriano da Nóbrega, apontado como líder do Escritório do Crime, braço de extermínio da milícia de Rio das Pedras. Ele foi morto em 2020.

Ao ser questionado sobre a homenagem concedida a Adriano, Flávio afirmou que, naquele momento, ele era considerado um policial de destaque e que “não tinha feito absolutamente nada de errado”.

Renata apresentou a informação de que Adriano já estava preso por homicídio e era alvo de acusações graves naquele período.

Esse ponto é relevante porque a defesa de Flávio depende da ideia de que as acusações contra Adriano teriam surgido depois da homenagem. A intervenção da jornalista contestou essa sequência temporal. Renata também lembrou a contratação de parentes do miliciano para cargos comissionados no gabinete de Flávio Bolsonaro, quando ele era deputado estadual no Rio de Janeiro.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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