O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) tenham mandatos e que as indicações para a Corte sejam submetidas à avaliação de um conselho formado por juristas e integrantes da sociedade civil.
Em entrevista à BandNews exibida na noite deste domingo (27), Lula afirmou que a escolha não deveria ficar concentrada no presidente da República. A proposta, segundo ele, seria criar um colegiado para avaliar os nomes antes da indicação.
"Não pode ser só o presidente que indica", disse Lula. Ele afirmou que pretende que os ministros tenham responsabilidade com a sociedade brasileira.
Investigações envolvendo ministros
A discussão ocorre enquanto o STF enfrenta uma crise relacionada à investigação sobre o Banco Master. O caso revelou vínculos entre Daniel Vorcaro, ex-dono da instituição, e ministros da Corte.
Um dos principais elos citados envolve Alexandre de Moraes. Diálogos recuperados do celular de Vorcaro indicaram que o ex-banqueiro perguntou ao ministro, dois dias antes de ser preso, se deveria deixar o país. Moraes também fez edições em um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci de Moraes, além de ter se encontrado com Vorcaro pelo menos seis vezes desde 2024.
Outras mensagens mencionaram supostos pagamentos de R$ 500 mil a um filho do ministro Kássio Nunes Marques. O filho do ministro Luiz Fux também teria mantido relação com Vorcaro, a quem chamou de "irmão" em mensagens.
Lula afirmou que todas as pessoas envolvidas devem ser investigadas e punidas caso sejam comprovadas irregularidades. O presidente aplicou o mesmo princípio ao caso de seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, apontado como beneficiário indireto da atuação da lobista Roberta Luchsinger na busca de contatos políticos para facilitar a venda de um medicamento ao governo federal.
Lula disse considerar inocentes Lulinha e Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de seu gabinete e alvo da Polícia Federal no mesmo caso. Segundo o presidente, ambos continuam sujeitos à investigação e devem responder pelos próprios atos.


