RIO DE JANEIRO — O presidente Lula afirmou nesta sexta-feira (18) que o escândalo envolvendo o Banco Master e o Supremo Tribunal Federal pode influenciar a reta final da eleição. Em entrevista à Rádio Tupi, no Rio de Janeiro, ele atribuiu a Jair Bolsonaro a responsabilidade pela fraude financeira investigada e disse que o caso provoca desgaste político, embora seu nome não apareça na apuração.
Lula disputa a reeleição e tem como principal adversário o senador Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente. O presidente declarou que o Banco Master foi criado pelo Banco Central durante o governo Bolsonaro e que os fatos relacionados à corrupção ocorreram naquela gestão. “Acho que vai respingar na reta final”, afirmou.
Críticas ao Supremo
O presidente disse que o caso contamina o debate público e afirmou ser necessário discutir uma reforma no Poder Judiciário depois de resolver a crise. Segundo Lula, cinco ministros do Supremo estão ligados direta ou indiretamente ao episódio.
Ele voltou a defender a atuação de Alexandre de Moraes nas eleições de 2022 e na defesa da democracia, mas criticou o contrato de R$ 131 milhões firmado pelo escritório de advocacia de Viviane Barci, mulher do ministro, com o Banco Master. Lula também citou Dias Toffoli, cuja família teve empresas associadas a uma rede fraudulenta de fundos de investimento do banco.
Moraes teria sido consultado por Daniel Vorcaro, antigo dono do Master, sobre uma eventual fuga do país antes de sua prisão. Lula afirmou ainda que Vorcaro se tornou banqueiro no governo Bolsonaro e foi preso durante sua gestão. O presidente relatou uma conversa de 20 minutos com o empresário, na qual teria dito que o banco seria fechado caso as investigações encontrassem irregularidades.
Lula acusou Vorcaro de corromper pessoas e de envolver integrantes da Suprema Corte, senadores e deputados. Também criticou André Mendonça, indicado ao Supremo por Bolsonaro, por supostamente ter retido informações sobre o caso Master. Mendonça é relator dos processos relacionados ao banco e dos desvios no INSS.
O presidente mencionou ainda uma cobrança de R$ 10 mil por um encontro de uma mulher com “Kassio”, em referência indireta a Kassio Nunes Marques. A informação teria aparecido em uma conversa atribuída a Vorcaro.
Por fim, Lula associou a família Bolsonaro a milicianos do Rio de Janeiro e defendeu mudanças na política. Ele afirmou que o caso do Banco Master não deveria dominar o debate eleitoral e disse ver com tristeza a centralidade do tema durante o processo.


