O deputado federal Eduardo Pazuello (PL-RJ) defende uma anistia ampla para os envolvidos na tentativa de golpe de Estado e também para as autoridades responsáveis pelas prisões. A proposta, segundo o general da reserva, deveria alcançar Jair Bolsonaro, militares, civis que integravam o governo e pessoas que depredaram o Supremo Tribunal Federal, o Congresso e o Palácio do Planalto.
Pazuello incluiu nessa ideia o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo, ao mencionar quem efetuou as prisões. “O Congresso vai votar a anistia a todos os presos políticos”, afirmou. Para o deputado, o benefício deveria ser aplicado aos dois lados do conflito político.
A defesa ainda não foi apresentada ao presidenciável Flávio Bolsonaro, de acordo com Pazuello. O deputado disse, porém, que Flávio, se eleito, atuaria para anistiar o pai. Também afirmou que Jair Bolsonaro poderia subir a rampa do Palácio do Planalto para transmitir a faixa ao filho.
Presos e proposta de reconciliação
Pazuello visitou na prisão o general Braga Netto, condenado por tentativa de golpe de Estado. Ele foi ministro da Casa Civil, ministro da Defesa e candidato a vice-presidente na chapa de Bolsonaro. Também permanecem presos o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio de Oliveira e o ex-comandante da Marinha Almir Garnier.
Na avaliação de Pazuello, uma eventual libertação permitiria que os generais retomassem o convívio com as famílias e recuperassem o tempo perdido. Ele disse que os militares não deveriam pensar em integrar um eventual governo.
O deputado associou a proposta à Lei de Anistia de 1979, que incluiu militares envolvidos na repressão e permitiu o retorno ao Brasil de 5.000 exilados políticos. Pazuello também mencionou a Venezuela e afirmou que a presidente Delcy Rodríguez estaria pacificando o país após libertar presos políticos.
A defesa de uma anistia abrangente já havia sido apresentada por Flávio Bolsonaro em 2025. Na ocasião, o senador disse que a medida seria uma saída para o Supremo, Alexandre de Moraes e o Congresso.
O PL elegeu 19 senadores e passou a ter 28 parlamentares na Casa. A partir de 2027, o Senado terá ao menos 50 congressistas que defendem o impeachment de um ministro do Supremo. O afastamento depende de 54 votos.
Pazuello também afirmou que não participa de discussões sobre saúde na campanha de Flávio. Durante o governo Bolsonaro, ele foi ministro da Saúde e deixou o cargo em meio à pandemia, quando o país registrava mais de 2.000 mortes por dia. Naquele momento, a doença já havia provocado 300 mil mortes no Brasil.


