A Polícia Federal, a Procuradoria-Geral da República e a defesa de Daniel Vorcaro negaram nesta sexta-feira (9) que o ex-dono do Banco Master tenha prestado depoimento ou apresentado documentos sobre um suposto financiamento do documentário “Lula”, dirigido por Oliver Stone.
A PF informou que as propostas de colaboração premiada apresentadas pelos advogados de Vorcaro não foram aceitas por não atenderem aos requisitos legais. A instituição também afirmou que não recebeu anexos, documentos ou informações com o conteúdo atribuído ao ex-banqueiro. “Daniel Vorcaro não prestou depoimento com o teor relatado na matéria, tampouco entregou à instituição anexos, documentos ou informações com o conteúdo ali descrito”, diz a nota.
A PGR declarou que as negociações foram conduzidas apenas pelos advogados contratados por Vorcaro. Segundo o órgão, não houve contato direto do investigado com representantes da Procuradoria nem depoimento oral, justamente porque a proposta foi rejeitada. A defesa afirmou que Vorcaro não depôs à PF ou à PGR durante as tratativas e que não confirma o conteúdo divulgado.
Os advogados Sergio Leonardo e Engels Augusto Muniz também repudiaram a divulgação de supostos anexos ligados a uma colaboração premiada que não foi celebrada. A defesa disse que o ex-banqueiro continua disponível para contribuir com as autoridades.
O documentário sobre Lula foi lançado em maio de 2024 e produzido entre 2022 e 2023. Conforme informações atribuídas a investigadores, a única menção a um filme sobre Lula na proposta de colaboração estaria em um anexo relacionado ao financiamento de “Dark Horse”, produção sobre Jair Bolsonaro. Nesse documento, Vorcaro teria afirmado que já havia patrocinado filmes sobre Lula e Michel Temer.
Também não foram identificadas, no conteúdo extraído do celular de Vorcaro, apreendido no ano passado pela Polícia Federal, menções a transferências destinadas ao financiamento de um documentário sobre o presidente.
O senador Flávio Bolsonaro comentou o caso em encontro com aliados e afirmou ter sido injustiçado quando foram divulgados diálogos sobre repasses de Vorcaro para o filme “Dark Horse”. Ele alegou que o empresário teria dado R$ 30 milhões por fora ao Instituto Lula, por meio de intermediários, e acusou o ministro da Saúde de cobrar 10% de propina. As acusações foram apresentadas pelo senador em sua manifestação sobre o episódio.
A Advocacia-Geral da União informou que solicitará direito de resposta e retificação das informações divulgadas, sem prejuízo de outras medidas legais. A providência foi adotada após pedidos da Casa Civil e do Ministério da Saúde, com fundamento no artigo 2º da Lei nº 13.188, de 11 de novembro de 2015.


