São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Dólar R$ 5,18 · Euro R$ 5,88 · Ibovespa 186.340 +0,00%
Notícia com critério
Política

Planilhas apreendidas pela PF registram mais de R$ 10 milhões ligados a aliados de Bolsonaro

Documentos atribuídos a Adilsinho mencionam políticos e partidos; PF apura possível cooptação de autoridades pelo crime organizado no Rio.

Planilhas apreendidas pela Polícia Federal com Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, registram pagamentos superiores a R$ 10 milhões relacionados a aliados da família Bolsonaro. Os documentos também mencionam valores acima de R$ 29 milhões ligados a agentes políticos, mas não esclarecem quando os pagamentos teriam ocorrido.

O material foi recolhido em novembro de 2022, durante uma operação que investigava a venda de cigarros ilegais no Rio de Janeiro. Em 2026, os registros foram analisados novamente na Operação Unha e Carne, que apura a atuação do crime organizado na política fluminense.

As planilhas indicam pagamentos a 61 pessoas. A maior parte dos nomes corresponde a políticos e partidos, embora alguns destinatários apareçam apenas por codinomes. Entre os citados estão Cláudio Castro, Rodrigo Bacellar, Hélio Lopes, Alexandre Ramagem e Gutemberg Fonseca.

Valores atribuídos aos citados

Cláudio Castro, ex-governador do Rio de Janeiro, aparece associado a R$ 3,63 milhões. Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, é relacionado a R$ 5,43 milhões sob o codinome “Barba”. Hélio Lopes aparece com R$ 323,2 mil; Alexandre Ramagem, com R$ 91,8 mil; e Gutemberg Fonseca, com R$ 727,9 mil.

A Polícia Federal investiga se as anotações fazem parte de uma estrutura de cooptação de autoridades pelo crime organizado. Em relatório, os investigadores afirmam que os registros podem indicar circulação de recursos para financiamento político formal ou informal. A análise deve ser confrontada com dados bancários, fiscais e eleitorais.

A identificação de Bacellar como “Barba” é contestada pela defesa. Os advogados dizem que ele nunca usou esse apelido em sua vida profissional, política ou pessoal e negam que tenha recebido dinheiro de Adilsinho. Também afirmam que uma Mercedes localizada em uma operação havia sido cedida temporariamente por uma concessionária para avaliação e foi devolvida sem compra.

Defesas contestam registros

A defesa de Cláudio Castro nega qualquer pagamento de Adilsinho. Segundo os advogados, os serviços gráficos contratados na campanha de 2022 foram declarados à Justiça Eleitoral, que aprovou as contas.

Gutemberg Fonseca também nega relação com Adilsinho e afirma que nunca encontrou o bicheiro nem recebeu recursos para sua campanha. Hélio Lopes disse não reconhecer os valores anotados. Sua assessoria declarou que as receitas e despesas da campanha de 2022 foram informadas à Justiça Eleitoral e tiveram as contas aprovadas.

A defesa de Alexandre Ramagem não respondeu ao contato. A presença de políticos no Camarote Arpoador durante o Carnaval de 2024, espaço pertencente a Bernardo Coutinho Loyola, sobrinho de Adilsinho, foi citada na investigação, mas não constitui, por si só, prova de envolvimento no esquema.

Os documentos também são relacionados à proximidade política entre alguns citados e a família Bolsonaro. Flávio Bolsonaro teria participado da indicação de Gutemberg Fonseca para cargos públicos. Hélio Lopes é apontado como próximo de Jair Bolsonaro, enquanto Ramagem integrou a equipe de segurança do ex-presidente durante a campanha de 2018 e dirigiu a Agência Brasileira de Inteligência durante o governo Bolsonaro.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.