TERESINA — A Justiça manteve neste domingo (4) a prisão do vereador Valdemir Virgino (PRD), de Teresina. Após a audiência de custódia, a prisão em flagrante foi convertida em preventiva, e o parlamentar continuará detido. A confirmação foi dada pela defesa.
Valdemir havia sido preso no sábado (3), durante uma ação da Polícia Federal, sob suspeita de compra de votos. O funcionário de seu gabinete Renato Lucas Vieira da Silva também foi autuado por associação criminosa.
Defesa afirma que dinheiro pagaria militantes
O advogado Carlos Douglas disse que cerca de R$ 47 mil apreendidos durante a operação seriam destinados ao pagamento de pessoas que trabalhavam como militantes na campanha de políticos. A defesa pretende sustentar no processo que o dinheiro não seria usado para comprar votos.
“Durante a instrução a gente vai efetivamente demonstrar que não houve sequer uma compra ou sequer uma tentativa de compra de votos”, declarou o advogado.
Ainda conforme a defesa, 16 pessoas foram autuadas por corrupção eleitoral e liberadas na noite de sábado após o pagamento de fiança. O advogado afirmou que essas pessoas disseram estar no local para receber valores por trabalhos de militância.
Investigação da Polícia Federal
A Polícia Federal informou que começou a investigar o caso após uma denúncia sobre distribuição de dinheiro para compra de votos em uma clínica pertencente à esposa do vereador, no bairro Marquês, em Teresina. A corporação relatou ter monitorado o endereço e observado muitas pessoas saindo do local com sacolas plásticas escuras.
Dois homens que deixavam a clínica em uma motocicleta foram abordados. Com eles, os policiais encontraram material de campanha e R$ 12 mil em espécie. Conforme o depoimento de um agente, um dos homens afirmou que o dinheiro seria usado para pagar pessoas que haviam trabalhado em uma campanha eleitoral.
Após a abordagem, os policiais entraram na clínica com autorização de um atendente. No interior, encontraram envelopes com nomes, números de telefone e valores, além de santinhos dos candidatos Carlos Augusto (MDB), Júlio César (PSD) e Georgiano (PSD).
Segundo a Polícia Federal, Valdemir e Renato estavam na sala onde os materiais foram localizados e coordenavam as atividades. Ainda conforme o auto, o vereador carregava uma mochila com maços de dinheiro e envelopes com valores.


