LONDRES — A assessoria de imprensa da Procuradoria-Geral da República afirmou que Paulo Gonet participou do evento em que foi fotografado ao lado de Daniel Vorcaro, em 2024, com outras autoridades. A imagem foi localizada pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro e passou a ser usada por políticos de direita em críticas ao procurador-geral, ao governo Lula e ao Supremo Tribunal Federal.
A fotografia mostra Gonet fumando charuto e bebendo uísque ao lado de Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master. Ela veio a público dias depois de Gonet declarar, durante uma sessão do STF, que havia falado apenas uma vez com Vorcaro, de maneira banal. O procurador-geral também descreveu o encontro como “brevíssimo e banal”.
A PGR citou ainda uma manifestação do ministro André Mendonça, que teria reconhecido não haver nada demais nas menções a Gonet durante uma sessão na terça-feira (15).
Publicações de políticos
O senador Flávio Bolsonaro (PL-SP), investigado por pedidos de dinheiro feitos a Vorcaro, associou a fotografia ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Romeu Zema (Novo) também publicou a imagem e questionou a atuação de Gonet no STF.
Deltan Dallagnol, ex-procurador e candidato ao Senado pelo Novo, classificou a fotografia como uma contradição em relação ao depoimento do procurador-geral e perguntou qual seria a verdadeira relação entre os dois.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), candidato à reeleição, respondeu a uma publicação de Gilmar Mendes, que havia defendido Gonet antes da divulgação da foto. O ministro afirmou que o procurador-geral tem “reputação ilibada e vida pública de lisura insuspeita”. Em vídeo, Nikolas também mencionou o contrato entre o escritório da mulher de Alexandre de Moraes e o Banco Master.
Apoio anterior
Gonet já havia recebido elogios de integrantes do bolsonarismo. Em 2019, quando Jair Bolsonaro avaliava nomes para chefiar a PGR, Bia Kicis levou o procurador ao Palácio do Planalto e o descreveu como conservador e alinhado a posições defendidas por aquele grupo.
A atuação de Gonet na Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, entre 1995 e 2002, também foi citada nesse contexto. Ele se posicionou contra as cotas raciais e a descriminalização do aborto, mas afirmou que sua atuação na comissão foi estritamente legalista, sem viés ideológico.

