SÃO PAULO — O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição, elogiou o ex-vereador Milton Leite e os familiares dele em 30 de agosto, durante um evento de campanha na zona sul da capital paulista. Dezoito dias depois, Leite tornou-se alvo da Operação Vectura Corrupta, conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) para investigar a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte público.
Tarcísio participou do lançamento das candidaturas de Alexandre Leite a deputado estadual e de Milton Leite Filho a deputado federal. Durante o evento, o governador parabenizou Milton e os filhos pela atuação em políticas públicas na região, que é reduto eleitoral da família.
“Assim que nós chegamos em São Paulo, nós fomos abraçados por eles, uma parceria enorme”, afirmou Tarcísio ao falar sobre a relação com os Leite.
Prisões e investigação
Deflagrada em 17/9, a operação levou a Justiça a decretar a prisão de Milton Leite e de outras 15 pessoas. Ao todo, a Polícia Civil e o MPSP cumprem 16 mandados de prisão e 18 mandados de busca e apreensão. Entre os alvos estão advogados, o candidato a deputado estadual Danilo Morgado (PL) e Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans e ex-secretário de Mobilidade e Trânsito da gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB).
A investigação é um desdobramento da Operação Decúrio, deflagrada em agosto de 2024. Segundo as autoridades, a apuração identificou uma rede de comunicação usada pelo PCC para manter contato entre integrantes presos e em liberdade, inclusive com participação de advogados. A nova fase também apontou suspeitas de financiamento de campanhas políticas nas eleições para prefeitos e vereadores de 2024.
Milton Leite negou envolvimento com o PCC e disse que se apresentaria às autoridades em 24 horas. Ele afirmou que os encontros mencionados pela polícia com Levi dos Santos Oliveira ocorreram no período em que, como presidente da Câmara Municipal, assumiu interinamente a Prefeitura da capital.
A defesa de Oliveira informou que foi surpreendida pela prisão e aguardava acesso aos autos. A Prefeitura de São Paulo disse que as intervenções na Transwolff e na UPBus, determinadas em abril de 2024, buscaram proteger o sistema municipal de transporte. A administração afirmou ainda que abriu processo na Controladoria-Geral do Município e coopera com o MPSP e a Polícia Civil.
A Câmara Municipal de São Paulo declarou acompanhar as investigações e aguardar as conclusões.


