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Política

Voto brasileiro fora do país cresce, mas distância ainda limita participação

Eleitorado no exterior chegou a 918,9 mil e registrou aumento da abstenção menor no segundo turno de 2022 do que em 2018.

Voto brasileiro fora do país cresce, mas distância ainda limita participação
Foto: Folhapress

A votação de brasileiros que vivem fora do país será realizada em 186 cidades de 134 países. O eleitorado no exterior chegou a 918,9 mil pessoas aptas a votar e é organizado pela Justiça Eleitoral como a unidade federativa ZZ.

O grupo já é maior do que os eleitorados de Roraima, com 401,5 mil eleitores, do Amapá, com 577,5 mil, e do Acre, com 614,4 mil. Em 16 anos, houve alta de quase 360%. Desde 2022, o crescimento foi de 31,8%, enquanto o eleitorado total aumentou 1,4%.

Crescimento e participação

O Itamaraty informou que o número de brasileiros fora do país chegou a 5,3 milhões no ano passado. Há quatro anos, eram 4,6 milhões. A transferência do título para outro país também ficou mais simples desde a pandemia do Covid-19, com a possibilidade de realizar o procedimento remotamente, sem comparecer a um consulado.

Pelo aplicativo e-título, o eleitor pode regularizar a situação e quitar dívidas com a Justiça Eleitoral. O voto, porém, continua presencial e obrigatório. Em muitos casos, o eleitor precisa viajar até uma embaixada ou um posto consular.

Na Itália, há votação apenas em Roma e Milão. Na França, os locais são Paris e Marselha. Os maiores eleitorados no exterior estão nos EUA, com 265,4 mil pessoas, em Portugal, com 134,8 mil, e no Japão, com 88,4 mil.

A abstenção fora do país permanece historicamente acima da registrada no território brasileiro, mas apresentou redução. No segundo turno de 2022, ficou em 55,4%, ante 59,7% em 2018. Com o aumento do número de eleitores inscritos, foram mais de 100 mil votos válidos a mais em quatro anos.

Para Teresa Schneider Marques, professora de ciência política da PUC-RS e pesquisadora da Uerj, as dificuldades de deslocamento ajudam a explicar a ausência nas urnas. “São custos de tempo, energia e dinheiro”, afirmou.

Mobilização partidária

A pesquisadora identificou, em estudo sobre a participação de brasileiros na França em 2022, um “sentimento de urgência” como fator de estímulo ao voto. Segundo ela, parte dos eleitores avaliou que aquela eleição poderia alterar o rumo do país.

O PT mantém uma secretaria de Relações Internacionais, chefiada pelo senador Humberto Costa, conectada a 26 núcleos fora do país. Gabriela Lima, responsável pelo núcleo de Bolonha, na Itália, disse que o grupo tinha cerca de 50 inscritos. Ela também atua como delegada de fiscalização em Milão e recebe material de campanha digital, sem recursos de apoio.

No PL, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, atualmente nos EUA, foi nomeado em 2024 secretário de Relações Internacionais. A mobilização ligada ao partido também ocorre por meio de comunidades com presença nas redes sociais.

A Liga Conservadora Brasil-Alemanha, que apoia o senador Flávio Bolsonaro (PL), tem 105 mil seguidores no Instagram. A criadora da conta, Samia Sittel-Faraj, afirmou que o trabalho inclui produção e divulgação de conteúdo e mobilização de brasileiros no exterior. A iniciativa, segundo ela, é voluntária, sem vínculo partidário e sem recebimento de recursos.

Para Schneider Marques, a atuação dos partidos brasileiros no exterior ainda é menor do que em outros países. Ela relaciona essa diferença à ausência de representantes no Congresso eleitos pelos brasileiros que vivem fora do país. Na Itália, há 12 vagas no Parlamento preenchidas com votos de expatriados.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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