A votação de brasileiros que vivem fora do país será realizada em 186 cidades de 134 países. O eleitorado no exterior chegou a 918,9 mil pessoas aptas a votar e é organizado pela Justiça Eleitoral como a unidade federativa ZZ.
O grupo já é maior do que os eleitorados de Roraima, com 401,5 mil eleitores, do Amapá, com 577,5 mil, e do Acre, com 614,4 mil. Em 16 anos, houve alta de quase 360%. Desde 2022, o crescimento foi de 31,8%, enquanto o eleitorado total aumentou 1,4%.
Crescimento e participação
O Itamaraty informou que o número de brasileiros fora do país chegou a 5,3 milhões no ano passado. Há quatro anos, eram 4,6 milhões. A transferência do título para outro país também ficou mais simples desde a pandemia do Covid-19, com a possibilidade de realizar o procedimento remotamente, sem comparecer a um consulado.
Pelo aplicativo e-título, o eleitor pode regularizar a situação e quitar dívidas com a Justiça Eleitoral. O voto, porém, continua presencial e obrigatório. Em muitos casos, o eleitor precisa viajar até uma embaixada ou um posto consular.
Na Itália, há votação apenas em Roma e Milão. Na França, os locais são Paris e Marselha. Os maiores eleitorados no exterior estão nos EUA, com 265,4 mil pessoas, em Portugal, com 134,8 mil, e no Japão, com 88,4 mil.
A abstenção fora do país permanece historicamente acima da registrada no território brasileiro, mas apresentou redução. No segundo turno de 2022, ficou em 55,4%, ante 59,7% em 2018. Com o aumento do número de eleitores inscritos, foram mais de 100 mil votos válidos a mais em quatro anos.
Para Teresa Schneider Marques, professora de ciência política da PUC-RS e pesquisadora da Uerj, as dificuldades de deslocamento ajudam a explicar a ausência nas urnas. “São custos de tempo, energia e dinheiro”, afirmou.
Mobilização partidária
A pesquisadora identificou, em estudo sobre a participação de brasileiros na França em 2022, um “sentimento de urgência” como fator de estímulo ao voto. Segundo ela, parte dos eleitores avaliou que aquela eleição poderia alterar o rumo do país.
O PT mantém uma secretaria de Relações Internacionais, chefiada pelo senador Humberto Costa, conectada a 26 núcleos fora do país. Gabriela Lima, responsável pelo núcleo de Bolonha, na Itália, disse que o grupo tinha cerca de 50 inscritos. Ela também atua como delegada de fiscalização em Milão e recebe material de campanha digital, sem recursos de apoio.
No PL, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, atualmente nos EUA, foi nomeado em 2024 secretário de Relações Internacionais. A mobilização ligada ao partido também ocorre por meio de comunidades com presença nas redes sociais.
A Liga Conservadora Brasil-Alemanha, que apoia o senador Flávio Bolsonaro (PL), tem 105 mil seguidores no Instagram. A criadora da conta, Samia Sittel-Faraj, afirmou que o trabalho inclui produção e divulgação de conteúdo e mobilização de brasileiros no exterior. A iniciativa, segundo ela, é voluntária, sem vínculo partidário e sem recebimento de recursos.
Para Schneider Marques, a atuação dos partidos brasileiros no exterior ainda é menor do que em outros países. Ela relaciona essa diferença à ausência de representantes no Congresso eleitos pelos brasileiros que vivem fora do país. Na Itália, há 12 vagas no Parlamento preenchidas com votos de expatriados.


