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Política

Voto no exterior cresce, mas distância ainda limita participação brasileira

Eleitores fora do país terão de viajar a consulados e embaixadas; abstenção caiu no segundo turno de 2022, mas segue acima da registrada no Brasil.

Voto no exterior cresce, mas distância ainda limita participação brasileira
Foto: Folhapress

A participação dos brasileiros que vivem fora do país será disputada por grupos ligados ao PT e ao PL, enquanto as limitações logísticas continuam dificultando o comparecimento às urnas. Em muitos casos, o eleitor precisa viajar até uma embaixada ou posto consular, faltar ao trabalho e arcar com custos de deslocamento.

O voto no exterior é obrigatório, assim como no Brasil. Na Itália, porém, há locais de votação apenas em Roma e Milão. Na França, os eleitores votam em Paris e Marselha. Neste pleito, será possível votar em 186 cidades de 134 países.

Participação e obstáculos

A abstenção entre brasileiros residentes no exterior historicamente supera a registrada no território nacional. No segundo turno de 2022, ela ficou em 55,4%, ante 59,7% em 2018. A diferença representa uma redução de quatro pontos percentuais. Como o cadastro de eleitores aumentou, o número de votos válidos cresceu em cerca de 100 mil no intervalo de quatro anos.

Para Teresa Schneider Marques, professora de ciência política da PUC-RS e pesquisadora da Uerj, a rotina e o custo do deslocamento ajudam a explicar a ausência. “As coisas não param para você votar, como no Brasil”, afirmou. Ela também pesquisou a participação de brasileiros na França em 2022 e identificou um chamado “sentimento de urgência” como fator de estímulo ao voto naquele país.

Segundo a pesquisadora, parte dos eleitores avaliou que aquela eleição poderia alterar o rumo do país. Ela afirma ainda que o imigrante considera as relações entre o país onde vive e o Brasil ao decidir, porque essas relações influenciam a maneira como é percebido no convívio social e no mercado de trabalho.

O eleitorado residente no exterior está registrado pela Justiça Eleitoral como a 28ª unidade federativa, identificada pela sigla ZZ. São 918,9 mil pessoas aptas a votar, número superior ao dos eleitorados de Roraima, com 401,5 mil, do Amapá, com 577,5 mil, e do Acre, com 614,4 mil.

Esse contingente cresceu quase 360% em 16 anos e aumentou 31,8% desde 2022. No eleitorado total do país, a alta desde 2022 foi de 1,4%. O Itamaraty registrou 5,3 milhões de brasileiros vivendo fora do país no ano passado, contra 4,6 milhões quatro anos antes.

Tecnologia e mobilização partidária

A transferência do título para outro país passou a poder ser feita remotamente desde a pandemia do Covid-19. O aplicativo e-Título também permite regularizar a situação eleitoral e quitar dívidas com a Justiça Eleitoral.

Os maiores colégios eleitorais no exterior estão nos Estados Unidos, com 265,4 mil eleitores, em Portugal, com 134,8 mil, e no Japão, com 88,4 mil.

O PT mantém uma secretaria de Relações Internacionais chefiada pelo senador Humberto Costa e ligada a 26 núcleos fora do país. Gabriela Lima, responsável pelo núcleo de Bolonha, no norte da Itália, disse que a estrutura divulga as posições do partido e busca alcançar brasileiros que trabalham no país. O grupo tem cerca de 50 inscritos.

Lima também atua como delegada de fiscalização em Milão. Ela afirma receber material de campanha digital, mas não recursos de apoio, e mantém contato com a secretaria de Relações Internacionais e com a Fundação Perseu Abramo.

No PL, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos, foi nomeado secretário de Relações Internacionais em 2024. A aproximação com brasileiros no exterior também ocorre por meio de comunidades com forte presença nas redes sociais.

A Liga Conservadora Brasil-Alemanha, criada por Samia Sittel-Faraj, moradora de Bonn, tem 105 mil seguidores no Instagram e apoia o senador Flávio Bolsonaro (PL). A iniciativa produz e divulga conteúdo e mobiliza brasileiros para a participação eleitoral. Samia afirma que o trabalho é voluntário e não tem vínculo partidário nem recebe recursos, embora mantenha contato com representantes do PL. “Estamos divulgando a plataforma do PL para o cadastramento de fiscais eleitorais no exterior”, disse.

Para Schneider Marques, os partidos brasileiros ainda atuam menos no exterior do que organizações políticas de outros países. Ela relaciona essa diferença à ausência de representantes no Congresso eleitos por brasileiros residentes fora do país. Na Itália, 12 cadeiras do Parlamento são preenchidas com votos de expatriados.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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