A dor não se intensifica de maneira contínua ao longo da vida. Um estudo publicado na revista Nature Medicine identificou picos em diferentes idades, conforme a região do corpo e o tipo de desconforto analisado.
Em seis das 11 áreas avaliadas, a prevalência cresce até a meia-idade e depois recua. As cefaleias chegam ao ponto máximo por volta dos 34 anos, enquanto a dor abdominal atinge seu pico aproximadamente aos 23. A dor no rosto alcança o maior nível aos 45 anos; a do cotovelo, aos 59; e a do pescoço e dos ombros, por volta dos 62.
Diferenças entre mulheres e homens
A pesquisa também concluiu que as mulheres relatam dor com mais frequência do que os homens em todas as regiões anatômicas examinadas e em todas as etapas da vida. Foram consideradas queixas na cabeça, no rosto, no pescoço e ombro, no tórax, abdômen, cotovelo, mão e punho, quadril, joelho, pé e tornozelo.
Marta Miret, pesquisadora do estudo e professora do departamento de Psiquiatria da Universidade Autônoma de Madri, afirmou que as razões são “múltiplas”. Segundo ela, as mulheres apresentam maior ocorrência de doenças dolorosas que foram pouco investigadas, como a enxaqueca menstrual, a endometriose e a artrite reumatoide, uma doença autoimune.
Miret também relacionou a diferença à dupla carga de trabalho e de responsabilidades familiares. Para a pesquisadora, as mulheres cuidam mais de outras pessoas, têm menos tempo para lidar com a dor e podem desenvolver um quadro mais crônico. Ela acrescentou que expectativas socioculturais podem levar os homens a falar menos sobre o que sentem.
Idade, países e fatores de risco
Nas regiões musculoesqueléticas, como costas, quadril e joelho, o desconforto aumenta durante a vida adulta e atinge o pico por volta dos 75 anos. A dor de alta intensidade chega ao máximo aproximadamente aos 50 anos, enquanto a dor generalizada tem seu ponto mais alto por volta dos 70, antes de diminuir.
O levantamento reuniu informações de mais de 6,1 milhões de pessoas em 118 países. Os dados foram coletados entre 1990 e 2025 e correspondem a pacientes de 5 a 100 anos.
As trajetórias são semelhantes durante a juventude, mas passam a divergir a partir dos 65 anos. Países com menor Índice de Desenvolvimento Humano registram incidência maior de dor na terceira idade do que aqueles com alto IDH. O estudo cita tabagismo, obesidade e condições econômicas e sociais ruins entre os principais fatores de risco. Para Miret, reduzir esses fatores pode ajudar a evitar a dor, considerada a principal causa de incapacidade no mundo depois da depressão.


