A preocupação dos brasileiros com a saúde mental aumentou em relação ao ano passado e alcançou 58% dos entrevistados, conforme o Monitor da Saúde 2026, da Ipsos Brasil. Em levantamento semelhante anterior, o percentual era de 52%.
O resultado brasileiro supera a média global, de 48%, e coincide com os índices registrados na Alemanha e na Colômbia. Chile, com 75%, e Suécia, com 70%, aparecem à frente no ranking. A saúde mental ocupa a primeira posição entre os problemas mais citados na pesquisa global da Ipsos desde 2023.
A diferença entre os gêneros aparece nos dados nacionais: 68% das mulheres mencionam a saúde mental, ante 47% dos homens, uma distância de 21 pontos percentuais.
Estresse, com 29%, vem na sequência das preocupações dos brasileiros. Também foram citados abuso de drogas, com 27%; obesidade, com 25%; abuso de álcool, com 18%; diabetes, com 17%; e doenças cardíacas, com 15%. A pesquisa mede a percepção da população, e não a incidência ou a prevalência dessas condições no país.
Efeitos sobre a rotina
A pesquisa internacional também registrou impactos no cotidiano. Na média dos 32 países participantes, 64% disseram que o estresse prejudicou sua vida diária ao menos uma vez nos últimos 12 meses. No mesmo intervalo, 61% afirmaram ter ficado tão estressados que não conseguiram lidar com a situação, enquanto 54% relataram tristeza ou desesperança quase todos os dias durante pelo menos duas semanas.
As consequências mencionadas incluem o afastamento do trabalho ou dos estudos, citado por 16% dos entrevistados, e a ausência em encontros sociais ou familiares, relatada por 17%.
Mulheres e pessoas mais jovens apresentaram maior frequência desses impactos. Globalmente, 68% das mulheres disseram que o estresse afetou sua rotina no último ano, contra 60% dos homens. Entre os participantes com menos de 35 anos, o índice foi de 75%, enquanto ficou próximo de 50% entre aqueles de 50 a 74 anos.
A Ipsos conduziu o estudo pela plataforma online Global Advisor entre 13 de julho e 7 de agosto de 2026. Foram ouvidos 22.528 adultos em 32 países, incluindo aproximadamente mil participantes no Brasil.
Embora 78% considerem a saúde mental e a saúde física igualmente importantes, a atenção frequente ainda se concentra mais na dimensão física: 75% disseram pensar regularmente nela, ante 63% em relação ao bem-estar mental.
Para Adriana Ghobril, líder de Pesquisas de Saúde da Ipsos Brasil, o resultado mostra que a questão ultrapassa os serviços de saúde e alcança a vida cotidiana. Ela afirmou: “Isso reforça a importância de olhar para a saúde mental não apenas sob a perspectiva do tratamento, mas também da prevenção e do cuidado contínuo”


