São Paulo, Terça-feira, 13 de outubro de 2026
Dólar R$ 4,99 · Euro R$ 5,58 · Ibovespa 209.067 -0,00%
Notícia com critério
Saúde

Pesquisa associa estrutura das narrativas infantis a riscos futuros de saúde mental

Estudo acompanhou 204 jovens por até seis anos e encontrou sinais de risco e proteção na forma como eles organizavam relatos.

Pesquisa associa estrutura das narrativas infantis a riscos futuros de saúde mental

Um estudo identificou na estrutura das narrativas de crianças e adolescentes informações associadas à vulnerabilidade futura a ansiedade, depressão e outros transtornos de saúde mental. A pesquisa analisou 204 jovens de 9 a 13 anos com auxílio de inteligência artificial e acompanhou a evolução do grupo por até seis anos.

Publicado em julho na Nature Mental Health, o trabalho indicou que a maneira de organizar os relatos foi mais informativa do que a presença explícita de emoções como medo, tristeza, ansiedade ou raiva.

O que a fala pode revelar

Os pesquisadores observaram aspectos sutis da linguagem, entre eles as chamadas palavras funcionais — pronomes, preposições e conjunções. Usadas com frequência e geralmente sem chamar atenção, essas palavras podem ajudar a indicar como a pessoa organiza mentalmente uma experiência, relaciona acontecimentos e faz referências a si mesma e aos outros. Também podem mostrar como expressa certeza ou dúvida ao contar uma situação.

A análise considerou ainda o contexto das histórias. Dessa forma, foi possível distinguir uma narrativa genérica sobre uma briga de relatos que envolviam agressão física, ameaça ou rejeição social mais ampla.

Para o psiquiatra Thiago Andrade Pedrosa, especialista em infância e adolescência do Espaço Einstein de Bem-estar e Saúde Mental, do Einstein Hospital Israelita, escolhas linguísticas podem refletir processos cognitivos e emocionais menos conscientes. “Perguntar simplesmente ‘Você está triste?’ não vai capturar a experiência emocional completa daquela criança”, afirmou.

A observação da forma de expressão já integra a avaliação do estado emocional na psiquiatria. Profissionais consideram o vocabulário, a quantidade de palavras, a entonação e outros aspectos da fala. Pesquisas anteriores, principalmente com adultos, haviam relacionado padrões de linguagem a condições como depressão e traumas.

Risco não é previsão

As narrativas associadas a maior risco incluíram violência física, conflitos interpessoais intensos, ameaças e exclusão social. Segundo Pedrosa, essas experiências podem afetar a sensação de segurança e de pertencimento da criança.

O estudo não permite concluir que uma criança desenvolverá um transtorno psiquiátrico com base em uma palavra, um pronome ou uma característica isolada da linguagem. A trajetória da saúde mental também depende de experiências estressantes, fatores de proteção e mudanças ao longo da vida.

O trabalho encontrou, por outro lado, referências a esporte, dança, escola, clubes, atividades extracurriculares e profissionais de saúde mental associadas a menor risco futuro. Esses elementos foram relacionados a uma rotina mais previsível e organizada, oportunidades de convivência, adultos de referência e rede de apoio.

Para pais e responsáveis, a recomendação é observar mudanças em relação ao funcionamento habitual. Entre os sinais estão isolamento, perda de interesse por atividades antes apreciadas, queda no rendimento escolar, alterações persistentes no sono ou na alimentação, irritabilidade intensa e desesperança. Mais do que buscar uma palavra específica, o médico defende oferecer segurança para que crianças e adolescentes contem suas experiências.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.