Produtos de estrogênio aplicados na vagina podem aliviar sintomas associados à menopausa, como ressecamento, dor nas relações sexuais e infecções do trato urinário. As opções incluem cremes, anéis e comprimidos, geralmente usados em pequenas doses.
A FDA retirou no ano passado a advertência de tarja preta dos produtos com estrogênio, incluindo as formulações vaginais. O aviso alertava para possíveis aumentos no risco de câncer e coágulos sanguíneos e havia contribuído para que muitas mulheres evitassem esses tratamentos.
Como o tratamento atua
A queda natural do estrogênio pode provocar a chamada síndrome geniturinária da menopausa, ou SGM. O tecido vaginal tende a ficar mais seco e fino, o que pode causar dor durante a relação sexual e desconforto até com o contato da vulva ou o atrito da roupa íntima.
Também podem surgir aumento da frequência ou da urgência para urinar. Com a redução da acidez vaginal e das bactérias benéficas, cresce a facilidade para a proliferação de bactérias nocivas e para o aparecimento de infecções urinárias. O estrogênio vaginal pode melhorar a hidratação e a elasticidade do tecido e reduzir essas infecções, que em alguns casos podem alcançar os rins.
Um estudo recente observou taxas menores de sepse, hospitalização e morte entre mulheres com infecções urinárias recorrentes que receberam estrogênio vaginal. A pesquisa, porém, não comprovou relação de causa e efeito. Elise De, uma das autoras, afirmou que as pacientes que receberam o tratamento rapidamente talvez tivessem acesso, de modo geral, a melhores cuidados médicos.
Quem pode receber
Especialistas avaliam que o tratamento pode ser indicado para mais pacientes do que atualmente. Um estudo com mais de 1 milhão de beneficiárias do Medicare mostrou que apenas 9% das mulheres com diagnóstico indicativo de SGM haviam recebido prescrição de estrogênio vaginal. Outra pesquisa, com mais de 2,8 milhões de pacientes com a condição, constatou que 71% não receberam tratamento.
A falta de acesso aos cuidados e a dificuldade de reconhecer sintomas sutis estão entre os fatores apontados. Algumas pacientes não identificam como problema mudanças como levantar à noite para urinar, coceira, ardência ou dificuldade para usar as mesmas roupas íntimas.
Nas doses pequenas geralmente prescritas, uma quantidade muito pequena de estrogênio chega à corrente sanguínea, permanecendo principalmente no tecido vaginal. Quando aparecem, os efeitos colaterais costumam ser leves, como irritação da pele e candidíase no início do tratamento.
Especialistas afirmam que o estrogênio vaginal não apresenta o mesmo aumento de risco de coágulos sanguíneos associado a algumas formas sistêmicas de estrogênio. Ainda assim, as decisões dependem das circunstâncias de cada paciente. Pessoas em tratamento contra cânceres sensíveis ao estrogênio podem não ser boas candidatas; após a conclusão do tratamento, a maioria pode usar a terapia, conforme avaliação médica. Em alguns casos, comprimidos ou anéis são escolhidos por permitirem controle mais preciso da dose.
Uso preventivo
Não há pesquisas conhecidas que comprovem a utilidade preventiva do estrogênio vaginal em pacientes sem sintomas. Para responder a essa questão, seriam necessários ensaios clínicos randomizados e controlados.
O início do tratamento aos primeiros sinais de alteração pode, porém, ser considerado. Sarah Cigna relatou que recomendava a terapia ao identificar mudanças no tecido vaginal durante o exame físico, antes que o quadro evoluísse para disfunção.


