A Bayer prevê crescimento de dois dígitos no mercado farmacêutico brasileiro e aguarda a análise da Anvisa para o Lynkuet, medicamento não hormonal voltado aos sintomas da menopausa. A informação foi dada por Adib Jacob, presidente da divisão farmacêutica da empresa para o Brasil e a América Latina.
O produto foi submetido à Agência Nacional de Vigilância Sanitária e pode ser aprovado entre o fim deste ano e o início do próximo. A proposta é combater ondas de calor, distúrbios do sono e mudanças de humor associados à menopausa.
Mercado e acesso
O setor farmacêutico brasileiro movimentou cerca de R$ 246 bilhões em 2025 e deve crescer mais de 10% em 2026. Jacob afirmou que a Bayer também espera uma expansão de dois dígitos. Para ele, o mercado tem apresentado taxas próximas de dois dígitos na última década e é menos sujeito a oscilações macroeconômicas.
O executivo disse que o preço do Lynkuet será adequado à realidade brasileira. Segundo Jacob, quase 80% das mulheres na menopausa apresentam esses sintomas em algum grau. O primeiro medicamento não hormonal aprovado no país foi o Veoza, da Astellas Farma, em junho.
O câncer de mama é a principal razão mencionada para evitar terapias hormonais, que fornecem estrogênio ou progesterona por meio de comprimidos e adesivos. Também estão nessa lista o câncer de endométrio, doenças hepáticas graves e distúrbios de coagulação sanguínea.
Jacob defendeu modelos de pagamento que considerem o resultado clínico, além do preço por unidade. Entre as possibilidades citadas estão o compartilhamento de risco, a coparticipação e o parcelamento para medicamentos de alto custo. “Uma coisa chama-se custo do produto, a outra é custo do tratamento”, afirmou.
Pesquisa e inovação
A Bayer considera a saúde da mulher um dos principais segmentos de sua operação no Brasil, ao lado de ginecologia, doenças cardiovasculares, oftalmologia e oncologia. A empresa disputa com o México a liderança de mercado na América Latina.
A oncologia também está entre as áreas de pesquisa prioritárias. Jacob afirmou que, de cada dez moléculas pesquisadas em humanos, cinco ainda estão relacionadas ao câncer. A empresa tem mais de 35 projetos em desenvolvimento, incluindo estudos sobre Parkinson e terapias para restabelecer o músculo cardíaco.
A inteligência artificial é apontada pelo executivo como uma ferramenta para reduzir custos e acelerar a pesquisa clínica. Atualmente, o desenvolvimento de um medicamento passa de US$ 1,5 bilhão, cerca de R$ 7,5 bilhões, e pode levar uma década entre a descoberta em laboratório e a chegada ao paciente.
A Bayer também atua na divisão farmacêutica, na saúde do consumidor e na agricultura. A companhia foi fundada em 1863 e está presente em mais de 80 países. Sua sede fica em Leverkusen, na Alemanha.


