A perda de peso sem explicação pode ser um sinal de alerta relacionado ao sistema digestivo. Quando supera 10% do peso corporal, independentemente do período em que ocorra, deve ser comunicada a um médico, afirma o gastroenterologista Baha Moshiree. Entre as possíveis causas estão cânceres gastrointestinais, doenças inflamatórias intestinais, obstruções intestinais e gastroparesia, distúrbio que faz o estômago esvaziar muito lentamente.
Também merece atenção qualquer sintoma que interrompa o sono. Diarreia, dor abdominal, cólicas, náusea e outros desconfortos gastrointestinais que acordam a pessoa podem estar associados a doença de Crohn ou câncer colorretal, segundo Moshiree. Vírus que provocam doenças gastrointestinais e intoxicação alimentar também podem causar esse tipo de despertar. Já a síndrome do intestino irritável e a indigestão tendem a ser menos propensas a interromper o sono, porque os sintomas geralmente aparecem quando a pessoa está acordada.
Suores noturnos frequentes que não estejam relacionados à menopausa também devem ser relatados. Cathy Eng, professora de medicina do Vanderbilt-Ingram Cancer Center, afirma que eles podem ocorrer em vários tipos de câncer, inclusive câncer colorretal e cânceres de pâncreas.
Alterações nas fezes e no intestino
A presença de sangue no papel higiênico, no vaso sanitário ou sobre as fezes não permite concluir que a causa sejam hemorroidas. Essas veias inchadas e inflamadas podem produzir sangue vermelho-vivo, mas a aparência não mostra sozinha sua origem. Câncer colorretal, doença de Crohn, diverticulite e algumas infecções gastrointestinais também podem provocar sangramento, afirma Moshiree.
Fezes pretas, com aspecto de piche, ou vinho-escuras podem indicar sangramento no estômago ou na parte superior do trato digestivo. Entre as possibilidades estão úlcera gástrica, câncer no estômago e câncer no esôfago. Para Eng, qualquer sangue dentro ou ao redor das fezes deve ser mencionado a um médico.
Mudanças inesperadas no formato, na frequência ou na consistência das evacuações também precisam ser avaliadas. Andrew Chan, gastroenterologista do Mass General Brigham, em Boston, cita prisão de ventre, diarreia e fezes finas. Quando não há uma causa clara, como alteração na alimentação, nos medicamentos, no estresse ou na rotina de trabalho, o quadro pode indicar que algo não está bem.
Um tumor em crescimento no cólon pode causar prisão de ventre ou fezes finas, segundo Eng. A inflamação intestinal pode provocar prisão de ventre ou diarreia, acompanhadas de dor, gases e inchaço.
Diarreia prolongada e dificuldade para engolir
Evacuações amolecidas ou aquosas por mais de cinco a sete dias, principalmente quando acompanhadas de dor abdominal, cólicas ou mudança no apetite, são motivo para procurar um profissional de saúde, afirma Eng.
Parasitas como Cyclospora e Giardia e a bactéria Clostridioides difficile podem causar diarreia, cólicas, dor e alterações no apetite. Esses quadros podem exigir antibióticos ou outros medicamentos, diz Moshiree. Doença de Crohn, retocolite ulcerativa e doença celíaca também podem provocar diarreia crônica, dor, gases e inchaço. Em alguns casos, o câncer colorretal está associado à diarreia persistente.
Dor, desconforto ou dificuldade recorrente para engolir devem ser comunicados a um médico. A sensação pode ser de não conseguir levar a comida da boca até a garganta ou de que o alimento ficou preso. Problemas nos nervos ou nos músculos, como doença de Parkinson e esclerose múltipla, podem causar esses sintomas. Câncer de garganta ou de esôfago também pode dificultar a passagem dos alimentos.
Um alimento preso pode levar à asfixia, mas a avaliação médica não deve ser adiada até que isso aconteça, afirma Chan. Mesmo episódios que duram poucos instantes merecem atenção quando se repetem.
Se houver dúvida sobre a importância de um sintoma, especialmente quando ele não desaparece em alguns dias ou semanas, os especialistas recomendam conversar com um médico. Um profissional de atenção primária ou um ginecologista pode ser a primeira opção e encaminhar o paciente a um gastroenterologista, se necessário.


