CURITIBA — Álvaro da Silva dedicou parte da vida à preservação da Sociedade Operária Beneficente 13 de Maio, em Curitiba. Criada por ex-escravizados, a entidade se tornou um espaço de valorização da cultura negra no Paraná e um ponto de referência para a população curitibana.
Nascido em Joinville (SC), Álvaro chegou ainda menino a Curitiba. Seu pai, Euclides da Silva, presidiu a sociedade por duas décadas, onde o filho cresceu e passou a participar das atividades. Álvaro assumiu a presidência em 1996 e permaneceu no cargo até pouco antes de morrer, em 2026.
A prefeitura de Curitiba destacou sua colaboração para manter o espaço, que classificou como um memorial de resistência e cultura. O amigo Renato Rocha lembrou que Álvaro frequentava os bailes até o fim. “Ele contava que cresceu ali dentro, então foi uma vida dedicada à casa”, afirmou.
Vida comunitária e familiar
Álvaro também participou ativamente dos Carnavais de Curitiba, como folião e mestre de bateria nas escolas de samba. Sociável e comunicativo, fazia questão de permanecer nos eventos até o final, conversando com os presentes, segundo o sobrinho Mario da Silva. Ao mesmo tempo, mantinha firmeza com quem desrespeitava a entidade.
Mario afirmou que Álvaro teve papel importante na manutenção da Sociedade 13 de Maio, criada há 138 anos. Na vida pessoal, era próximo da esposa, Jussara, com quem se casou em 1984, da filha, dos netos e dos irmãos.
Ele trabalhou como cobrador de ônibus e porteiro no edifício Asa, prédio histórico no centro de Curitiba. Nas horas vagas, gostava de assistir a filmes, programas humorísticos e novelas com a família.
Álvaro morreu em 16 de agosto, aos 79 anos, por problemas renais. Deixa a mulher, cinco irmãos, uma filha e quatro netos. A filha, Amanda da Silva, o definiu como “um homem justo, positivo e de bom coração”.


