SÃO PAULO — “Don Carlo”, ópera de Giuseppe Verdi baseada em personagens de Friedrich Schiller, está em cartaz até o próximo sábado no Theatro Municipal de São Paulo. A montagem tem direção cênica e iluminação de Caetano Vilela, com a Orquestra Sinfônica Municipal e o Coro Lírico sob regência de Roberto Minczuk.
A encenação utiliza poucos elementos cênicos e concentra na luz a tensão entre os ambientes dos cinco atos. A história passa pela floresta de Fontainebleau, na França, onde Carlo conhece Elisabetta di Valois; pelo Mosteiro de San Yuste, na Espanha, associado ao imperador Carlos V; por uma praça em Madri; e por espaços internos ligados ao rei Filippo II e à prisão de Carlo.
Elenco e personagens
O tenor paraense Atalla Ayan interpreta Don Carlo, personagem marcada pela juventude, pela paixão e pela impetuosidade. A soprano Ailyn Pérez, nascida em Chicago e estreante no Brasil, dá voz a Elisabetta com emissão clara, emoção precisa e fraseado trabalhado.
Eboli é vivida pela mezzosoprano paulista Ana Lúcia Benedetti, que recebeu aplausos em “O Don Fatale”, ária do quarto ato. O baixo Luiz-Ottavio Faria, nascido no Rio de Janeiro, interpreta Filippo II. Sua atuação em “Ella Giammai M'amo”, também do quarto ato, é associada à personalidade triste e solitária do rei.
O Grande Inquisidor aparece no quarto ato, interpretado pelo baixo norte-americano Soloman Howard. O dueto entre o personagem e o rei, construído na tessitura profunda dos baixos, coloca em primeiro plano o conflito entre poder, justiça e o destino do reino.
No centro da trama está Rodrigo, marquês de Posa, papel do barítono paulistano Paulo Szot. Amigo de Carlo e conselheiro do rei Filippo, Rodrigo defende o povo oprimido de Flandres e tenta proteger o amigo da ira do pai e do Inquisidor. O dueto entre Rodrigo e Carlo na prisão é apontado como um dos momentos culminantes da montagem.
A ópera estreou em Paris, inicialmente em francês, em 1867. A obra é contemporânea de “Tristão e Isolda”, de Wagner, apresentada pela primeira vez em Munique em 1865. Enquanto a composição de Wagner se concentra em uma interioridade arquetípica, “Don Carlo” articula paixão, espaços públicos, gabinetes e sepulcros em sua construção dramática.


