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Cultura

Ópera do Palácio das Artes reinterpreta a trajetória de Chica da Silva

Montagem estreia em Belo Horizonte com foco na vida afetiva, nos conflitos raciais e nas contradições da personagem histórica.

Ópera do Palácio das Artes reinterpreta a trajetória de Chica da Silva
Foto: Paulo Lacerda/Divulgação Palácio das Artes

A ópera "Chica da Silva", produzida pelo Palácio das Artes, estreia neste sábado em Belo Horizonte com uma proposta de afastar-se da imagem mítica associada à personagem e explorar a humanidade de uma mulher negra. A montagem também terá apresentações na segunda e na quarta-feira.

A narrativa combina uma história de amor com os conflitos raciais e econômicos do século 18. O libreto, escrito pelo cineasta Marcos Bernstein e por Flávia Bessone, procura confrontar as interpretações externas sobre Chica da Silva com os possíveis desejos, dilemas e aflições vividos por ela.

"Nossa ideia é construir a história de uma mulher que viveu nessas condições e conseguiu o melhor que ela podia alcançar dentro deste contexto", afirma Bernstein. A montagem também busca apresentar as conquistas da personagem sem ignorar as limitações impostas pelo período em que viveu.

Amor, alforria e ficção

Filha de um homem branco e de uma mulher africana escravizada, Chica da Silva nasceu entre 1731 e 1735. Ela viveu em Diamantina, antigo Arraial do Tejuco, durante o ciclo da extração de diamantes. Foi alforriada pelo contratador João Fernandes de Oliveira, com quem manteve uma união estável por 17 anos, até a partida dele para Portugal. Os dois tiveram 13 filhos, reconhecidos pelo nome do pai.

Na ópera, o primeiro ato aborda as dificuldades de um relacionamento inter-racial entre uma mulher escravizada e um contratador de diamantes. A carta de alforria recebida por Chica marca uma cena de declaração amorosa, em que os personagens deixam o palco de mãos dadas.

O tenor Ewandro Stenzowski interpreta João Fernandes e defende a importância de preservar a dimensão afetiva da relação. "Qualquer tentativa de apagar o relacionamento amoroso deles é também uma tentativa de apagar quem, na verdade foi a Chica", diz.

A soprano paulista Marly Montoni interpreta a personagem-título. Filha de mãe negra e pai branco, ela afirma ter levado experiências pessoais para a composição da personagem, inclusive por viver um relacionamento inter-racial. "A Chica, em certos aspectos, sou eu", afirma Montoni.

Embora tenha recorrido a pesquisas históricas e à biografia publicada em 2003 pela historiadora Júnia Ferreira Furtado, a produção assume o uso da ficção para intensificar o drama e tratar de questões que possam dialogar com o presente.

Referências afro-brasileiras

A direção cênica, assinada por Julianna Santos, incorporou elementos da cultura afro-brasileira às músicas, às coreografias e ao cenário. O congado e a capoeira aparecem junto de referências da tradição clássica, enquanto o espaço cênico utiliza adinkras, símbolos de povos da África Ocidental presentes em construções antigas.

A montagem tem direção-geral de Cláudia Malta, música de Guilherme Bernstein e direção musical e regência de André Brant. Ela integra as celebrações dos 55 anos do Palácio das Artes e dá continuidade ao investimento do complexo na produção de obras ligadas à cultura mineira, como "Aleijadinho", de 2022.

Uma versão reduzida, intitulada "Chica em Diamantina", já foi encenada em uma praça da cidade histórica mineira.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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