REIQUIAVIQUE — Anne Carson recebeu na manhã desta quinta-feira, 8, a notícia de que havia ganhado o Prêmio Nobel de Literatura. A escritora canadense ainda não divulgou um comunicado, mas enviou à Academia Sueca uma imagem feita na cozinha de sua casa, em Reiquiavique, na Islândia.
Na fotografia, Carson aparece com óculos de armação vermelha, suéter colorido e calças de veludo cotelê. A expressão registrada é de surpresa. A Academia informou que uma entrevista com a autora será publicada em seus canais oficiais.
A instituição concedeu o prêmio à escritora por sua produção, descrita como “ousada e inventiva” e responsável por criar novas formas para a literatura contemporânea a partir do diálogo com a tradição clássica.
Nascida em Toronto em 1950, Carson é poeta, ensaísta, tradutora e acadêmica especializada na Grécia Antiga. Ela se dedica há mais de 30 anos à tradução de clássicos e reúne mais de 20 livros publicados.
Entre seus trabalhos está Autobiografia do Vermelho (1998), obra que retoma personagens da mitologia greco-romana com referências anacrônicas e elementos associados ao presente. Em Antigonick (2012), a autora traduz a tragédia de Sófocles. Já Eros, o Doce-Amargo (1986) é um ensaio sobre o amor, da Grécia antiga aos dias de hoje.
Sua produção também coloca em diálogo autores de épocas distintas. Em Economia dos Não-Perdidos (1999), Carson aproxima o poeta grego Simónides de Paul Celan. Na coletânea Sobre Aquilo que Mais Penso, relaciona o historiador Tucídides a Virginia Woolf.
Para a Academia Sueca, essas combinações afastam Carson de uma poesia centrada no eu narrativo e ampliam as possibilidades da literatura contemporânea. A instituição afirmou que o método resulta em obras que transitam entre a poesia clássica e a moderna, além de diferentes gêneros e formas de arte. Por isso, as versões de textos antigos feitas pela autora podem ser lidas como obras independentes.
Ao longo da carreira, Carson conciliou a escrita poética com as traduções e as aulas ministradas em universidades ao redor do mundo. Ela já definiu o tédio como seu arqui-inimigo e disse que o enfrentaria com disposição e bom humor.


