ÓBIDOS — A escolha da poeta canadense Anne Carson, 76, para receber o Prêmio Nobel de Literatura de 2026 foi celebrada pelas escritoras Gabriela Cabezón Cámara e Michela Marzano durante o FÓLIO, Festival Literário Internacional de Óbidos, em Portugal. O anúncio ocorreu na quinta-feira, 8.
Para a argentina Gabriela Cabezón Cámara, a obra de Carson aproxima o mundo antigo da contemporaneidade. A escritora afirmou que a vencedora consegue recuperar elementos ligados ao sagrado e fazê-los ressoar no presente, mesmo em um mundo desencantado. Também destacou a inteligência, a erudição e a ironia presentes na produção da canadense.
“É uma poeta extraordinária. Fico muito feliz que tenham concedido o Nobel a Carson”, disse Gabriela Cabezón Cámara.
A italiana Michela Marzano também comemorou a escolha, mas relacionou o reconhecimento a um alerta sobre os direitos das mulheres. Ela mencionou as dificuldades de acesso ao aborto, as desigualdades salariais e a baixa presença feminina em posições de liderança como questões ainda não superadas. Marzano teve passagem pelo Parlamento italiano.
“Há coisas que avançam, mas também há coisas que retrocedem”, afirmou a escritora. Para ela, os direitos conquistados com esforço não devem ser tratados como garantidos. Michela Marzano defendeu a transmissão desses valores às novas gerações e disse que a educação e a cultura são fundamentais para evitar novos retrocessos.
Anne Carson se tornou a 19ª mulher a receber o Nobel de Literatura. A Academia Sueca reconheceu sua obra pela combinação de poesia, prosa e referências à literatura clássica. Entre os livros da autora estão Autobiografia do Vermelho e A Beleza do Marido.
O FÓLIO ocorre até 18 de outubro, na vila portuguesa de Óbidos, e reúne autores internacionais para discutir literatura, identidade e questões contemporâneas.


