PARIS — A exposição Cézanne e Nós reúne 174 obras no Grand Palais para mostrar como Paul Cézanne influenciou diferentes gerações da arte moderna e contemporânea. A seleção combina trabalhos do pintor francês com obras de artistas que incorporaram, em maior ou menor medida, suas ideias sobre cor, espaço, estrutura e volume.
Filho de banqueiro, Cézanne deixou o curso de direito em Aix-en-Provence para seguir a carreira artística. Aos 22 anos, estudava desenho escondido e depois foi para Paris, onde não conseguiu ingressar na Escola de Belas Artes. Na Academia Suíça, conheceu Claude Monet e Pierre-Auguste Renoir. O contato com os impressionistas marcou sua produção inicial, mas o artista posteriormente se afastou do movimento.
“O que eu queria era fazer do impressionismo algo sólido e duradouro, como a arte de um museu”, disse Cézanne ao pintor Maurice Denis. Em vez de se concentrar apenas nos efeitos passageiros da luz, passou a investigar a estrutura dos objetos. Suas pinceladas inacabadas e justapostas, além do uso de diferentes pontos de vista, aparecem com frequência em suas naturezas-mortas, especialmente nas pinturas de maçãs.
A exposição distribui as obras em dezesseis seções, instaladas em dois andares, com retratos, paisagens, nus e naturezas-mortas de movimentos variados. Um dos diálogos apresentados é entre Paisagem com Duas Figuras (1908), de Pablo Picasso, e Rochedos e Galhos em Bibémus (1895-1904), de Cézanne. A comparação evidencia o uso de planos de cor e formas geométricas associado ao cubismo.
A mostra também relaciona Cézanne a Henri Matisse, Paul Gauguin e Andy Warhol. O percurso inclui O Banhista (1909), de Matisse, e faz referência às maçãs de Cézanne retomadas por Warhol no final dos anos 1970. Para o curador Michel Gauthier, a influência do francês alcançou artistas de correntes distintas, inclusive opostas.
A importância de Cézanne se consolidou depois de sua morte. Em 1907, uma exposição no Salão de Outono de Paris, com mais de cinquenta obras, reuniu artistas, colecionadores e críticos. Entre eles estava Leo Stein, que afirmou: “Até então, Cézanne só tinha sido importante para alguns; ele estava prestes a se tornar importante para todos”.

