BAHIA — Há 42 anos, Amyr Klink chegou à Praia da Espera, na Bahia, depois de cruzar o Atlântico Sul a remo. A expedição durou 100 dias e fez dele a primeira pessoa do mundo a completar a travessia. A jornada agora chega ao cinema em 100 Dias, com lançamento marcado para 29 de outubro.
Dirigido por Carlos Saldanha, o longa tem Felipe Bragança no papel de Klink e foi inspirado no livro Cem Dias entre Céu e Mar, escrito pelo remador após a viagem. Saldanha conheceu a obra ainda na juventude, na década de 1980. “Eu estou contando uma história e o Amyr está aqui, assistindo a essa história. Então, foi uma responsabilidade muito grande”, afirmou o diretor.
O livro e a adaptação
Klink contou que escreveu a obra sem permitir intervenções no texto. A empresa responsável pela edição chegou a manter um advogado em sua casa durante 10 meses, que aparecia diariamente às 8 horas para perguntar quantas páginas haviam sido produzidas. O livro se tornou um sucesso e, entre os trabalhos do remador, continua sendo o de maior repercussão.
A ideia de levar a história ao cinema partiu de Marina, esposa de Klink. Segundo ele, foram 30 anos de tentativas até que o projeto avançasse de fato, há oito. A produção chegou a ser planejada com o diretor Breno Silveira, que morreu antes da conclusão do projeto.
Klink acompanhou uma gravação e comparou o trabalho no tanque, com jatos de água, à própria travessia do Atlântico. Ele também destacou a pesquisa feita pela equipe, que recuperou detalhes da expedição, como o esparadrapo colocado nos remos e uma pequena cruz de ouro recebida de uma senhora próxima a ele.
Impressões sobre o filme
Aos 70 anos, o remador disse ter gostado do resultado e se surpreendido com o realismo das imagens. A produção utilizou uma réplica do barco, que, segundo Klink, era tão fiel que ele não conseguia diferenciá-la da embarcação usada na viagem.
Ele também elogiou a escolha do elenco e afirmou que, dependendo da fotografia, o protagonista interpretado por Bragança parecia ser ele próprio. A chegada de Klink à Praia da Espera, que naquela época ocorreu sem aviso e sem GPS, foi acompanhada por jornais da Bahia e acabou registrada em uma capa que teve grande repercussão.


