O câncer infantil não costuma estar ligado a hábitos ou a fatores ambientais acumulados ao longo dos anos. Em muitos casos, a origem permanece desconhecida, e não há culpados pelo diagnóstico. O apoio de associações como a Aspanoa e a Câncer Infantil pode ajudar as famílias durante o tratamento.
Uma doença com perfil próprio
Os tumores mais frequentes na infância são leucemias, tumores cerebrais, linfomas e neuroblastomas. Nos adultos, predominam cânceres de pulmão, cólon, mama, próstata e estômago. A diferença não se limita aos órgãos atingidos: as doenças seguem características biológicas próprias e exigem formas específicas de diagnóstico e tratamento.
Aproximadamente oito em cada dez crianças diagnosticadas com câncer sobrevivem à doença. Entre adultos, considerando todos os tipos de câncer em conjunto, a sobrevida fica em torno de 50%.
Nos adultos, tabaco, álcool, obesidade, certas infecções e a exposição prolongada a substâncias tóxicas podem contribuir para o surgimento de tumores. Estima-se que cerca de 40% dos casos em adultos geralmente sejam consequência de décadas de exposição a fatores de risco. Na infância, porém, os cânceres raramente estão relacionados a esse tipo de fator.
Cerca de 5% a 10% dos diagnósticos infantis podem ser atribuídos a síndromes hereditárias que aumentam a predisposição à doença, mas essa explicação não abrange a maioria dos casos. Há evidências de que muitas ocorrências tenham origem em alterações genéticas e cromossômicas surgidas nas primeiras etapas do desenvolvimento, em algumas situações antes do nascimento. Essas alterações podem permanecer latentes por anos até provocar a doença.
Desenvolvimento e resposta ao tratamento
O organismo da criança está em transformação. O sistema imune ainda amadurece, os órgãos continuam se desenvolvendo e os tecidos atingidos pelo tumor diferem dos encontrados em adultos. Na leucemia mieloide aguda, por exemplo, a medula óssea infantil é muito diferente daquela de uma pessoa de 70 anos.
Na velhice, a medula perde progressivamente a atividade responsável pela formação e pelo desenvolvimento das células sanguíneas e é infiltrada por tecido adiposo. Na criança, ela é um órgão muito ativo, ligado ao crescimento e com alta mineralização. Esse ambiente pode influenciar o comportamento das células tumorais e a resposta aos medicamentos.
Algumas células leucêmicas conseguem se abrigar em regiões específicas da medula óssea, escapar temporariamente dos remédios e depois provocar uma recidiva. Quando isso ocorre, a taxa de sobrevivência cai rapidamente.
Os sinais também podem ser difíceis de reconhecer, porque se confundem com manifestações de outras doenças. Febre persistente, cansaço excessivo, infecções recorrentes, hematomas frequentes e dores ósseas estão entre os alertas possíveis.
Viver além do tratamento
Na infância, o objetivo terapêutico não é apenas garantir a sobrevivência. Também é necessário reduzir os efeitos da doença e das terapias, como quimioterapia e radioterapia, que podem provocar consequências relevantes.
Como o tratamento ocorre durante uma fase de crescimento, é preciso considerar possíveis impactos futuros sobre o desenvolvimento, as funções cardíaca e endócrina, a fertilidade e a qualidade de vida na idade adulta. Grupos de pesquisa estudam essas diferenças para desenvolver terapias mais precisas e personalizadas, capazes de ajudar os pacientes a superar a doença e levar uma vida plena.


