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Saúde

Tratamento de esclerose múltipla no SUS aumenta 25,9% entre 2019 e 2023

Estudo com 27 mil pacientes aponta maior uso de medicamentos de alta eficácia, mas identifica diferenças entre as regiões do país.

Tratamento de esclerose múltipla no SUS aumenta 25,9% entre 2019 e 2023
Foto: Folhapress

O número de pessoas com esclerose múltipla em tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) aumentou 25,9% entre 2019 e 2023. O dado faz parte de um estudo conduzido por médicos do Einstein Hospital Israelita e pesquisadores do Centro de Estudos e Promoção de Políticas de Saúde (CEPPS), também ligado ao Einstein, com informações de 27 mil pacientes. O trabalho foi publicado na revista Multiple Sclerosis and Related Disorders.

A esclerose múltipla é uma doença autoimune crônica que atinge o sistema nervoso central. Nela, o sistema imunológico agride a bainha de mielina, que protege os neurônios e contribui para a transmissão dos impulsos nervosos. Esse processo pode provocar inflamações e lesões no cérebro e na medula espinhal, com sintomas como alterações na visão, fraqueza muscular, dificuldade para caminhar e fadiga.

A neurologista Lívia Almeida Dutra, líder do estudo e coordenadora do Instituto do Cérebro do Einstein, afirmou que o uso de medicações de alta eficácia avançou em todas as regiões brasileiras, mas sem a mesma intensidade. O tratamento utiliza medicamentos que modulam o sistema imunológico e reduzem a capacidade de o organismo atacar a mielina.

A atualização do protocolo clínico nacional do SUS, em 2021, permitiu que remédios de alta eficácia fossem indicados mais cedo. Antes da mudança, os pacientes precisavam iniciar o tratamento com medicamentos de baixa eficácia. A estratégia de antecipação pode contribuir para preservar a qualidade de vida, mas a prescrição continua menor em alguns estados.

Dutra afirmou que as diferenças podem estar relacionadas à dificuldade para realizar exames detalhados, à disponibilidade de centros para infusão e a problemas na entrega dos medicamentos. Para ela, estrutura e treinamento são necessários para ampliar o acesso.

Diagnóstico ainda demora

A identificação precoce da doença também é apontada como um obstáculo. Claudia Vasconcelos, neurologista da Academia Brasileira de Neurologia (ABN) e professora da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), atribui parte da demora à realização de exames complementares. A ressonância magnética de crânio é o principal exame para comprovar lesões no cérebro e na medula.

Os sinais variam conforme a área afetada e podem incluir perda de força, alterações no equilíbrio e na visão, além de dificuldade no controle do esfíncter. Segundo Vasconcelos, alguns sintomas são associados indevidamente à ansiedade ou a problemas ortopédicos, o que pode atrasar o encaminhamento ao neurologista.

A especialista defende maior acesso à ressonância magnética, à análise do líquor, a medicamentos e a exames de biomarcadores. Também considera necessário ampliar o conhecimento dos médicos da atenção básica para que o diagnóstico ocorra antes de novos surtos da doença.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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