SÃO PAULO — Os ingressos para o primeiro sábado da Bienal do Livro de São Paulo estavam esgotados, e a programação enfrentou fluxo intenso de visitantes mesmo com a chuva que atingiu a cidade. Na Arena Cultural, fãs de Lynn Painter ocuparam corredores, sentaram no chão e se concentraram diante das grades à espera da participação da autora, prevista para as 16h30.
A movimentação começou por volta das 13h, mais de três horas antes da entrevista. A fila dificultou o acesso ao espaço principal do evento durante boa parte da tarde. Adolescentes, mães, pais e avós disputavam lugares próximos ao palco, e a organização liberou a entrada dos jovens de forma gradual devido ao volume de pessoas.
Painter, autora de comédias românticas e publicada no Brasil pela Intrínseca, participa das bienais do Rio de Janeiro e de São Paulo desde 2023. Segundo a organização, a mesa teve público maior que a do autor Raphael Montes, realizada no dia anterior.
O público criou ondas com os braços, bateu leques e entoou gritos antes do início da conversa. A autora entrou no palco com dez minutos de atraso, sob gritos e celulares levantados. Em português, disse: "Tenho praticado meu português todos os dias, mas não sou muito bom". Depois, recebeu da mediadora Mari Araújo um RG, em tom de brincadeira, pelas visitas frequentes ao Brasil.
A conversa abordou os personagens dos livros de Painter, seu método de escrita e a adaptação pela Netflix de Melhor do que nos Filmes. Quem ficou fora da Arena teve dificuldade para acompanhar o áudio e pediu que o som fosse ampliado. A movimentação também prejudicou a mesa Carolina Maria de Jesus: memória, legado e cinema, realizada anteriormente. Fãs gritavam o nome da americana e faziam barulho durante gravações, o que dificultou a escuta de quem acompanhava informações sobre a cinebiografia de Carolina Maria de Jesus.
Transporte e circulação
A chuva também complicou a saída após o almoço. A fila do transfer gratuito entre a estação de metrô Portuguesa-Tietê e o Distrito Anhembi fazia voltas, enquanto os ônibus demoravam cerca de uma hora por causa do trânsito. Integrantes da organização informaram, aos gritos, que o serviço havia sido pausado momentaneamente, mas o aviso não alcançou quem estava no início da fila.
Dentro da Bienal, os corredores estavam mais espaçosos que na edição de 2024, mas havia filas longas nos caixas e pessoas sentadas no chão, inclusive no meio da passagem. Embalagens de lanche, canudos e outros resíduos se acumulavam ao longo do dia.
Alice Oseman no palco principal
A programação do sábado terminou com a participação de Alice Oseman, escritora e ilustradora de Heartstopper. Criada em 2016 e publicada no Brasil pela editora Seguinte, a história em quadrinhos soma mais de 10 milhões de cópias vendidas em 39 países e foi adaptada pela Netflix.
A obra acompanha a descoberta do primeiro amor entre Nick e Charlie e aborda amadurecimento, sexualidade, saúde mental, amizade e superação de traumas. Durante a conversa, Oseman respondeu a perguntas sobre os personagens e vivências LGBTs, acompanhada por um público que reagia com gritos de concordância. A autora afirmou: "Amizade é muito importante nesse processo. Na juventude, talvez você não encontre aquela paixão, mas vai encontrar aquele amigo. Isso é muito poderoso."


