São Paulo, Terça-feira, 13 de outubro de 2026
Dólar R$ 4,99 · Euro R$ 5,58 · Ibovespa 209.067 -0,00%
Notícia com critério
Cultura

Memórias de Renata de Almeida reúnem bastidores de cinco décadas da Mostra

Livro acompanha a trajetória da organizadora, os desafios de cada edição e encontros com cineastas que passaram por São Paulo.

Memórias de Renata de Almeida reúnem bastidores de cinco décadas da Mostra
Foto: Acervo da Mostra de Cinema de SP/Divulgação

A história da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo se confunde com a trajetória pessoal de Renata de Almeida em “Antes que Eu Me Esqueça”. O livro reúne bastidores, memórias e relatos sobre a organização do evento, sem se limitar ao formato de um almanaque para cinéfilos.

Almeida começou a trabalhar na Mostra na 13ª edição, em 1989. Depois, iniciou um relacionamento com Leon Cakoff, criador e diretor do evento, e passou a dividir com ele a condução da iniciativa. A narrativa dedica um capítulo a cada edição desde então e relaciona o desenvolvimento da Mostra ao nascimento dos dois filhos do casal e à morte de Cakoff, em 2011, vítima de câncer, aos 63 anos.

O livro também acompanha o esforço para selecionar filmes e trazer seus realizadores a São Paulo. A organização enfrentou dificuldades para obter financiamento, os efeitos do Plano Collor, entraves na liberação de cópias pela alfândega, cancelamentos de convidados em cima da hora e a pandemia.

Cineastas e histórias da Mostra

Ao longo de 50 anos, diretores e atores passaram a circular pela região da avenida Paulista durante o evento. Entre os cineastas que retornaram a São Paulo estão Abbas Kiarostami, Manoel de Oliveira e Jia Zhangke. Emir Kusturica participou da Mostra, levou filmes ao evento e voltou depois para um show de sua banda, Kusturica & The No-Smoking Orchestra.

Wim Wenders foi à Mostra em 2008, quando selecionou 14 títulos para a programação, conversou com o público e apresentou “Palermo Shooting”, seu filme mais recente à época. Esses contatos ajudaram a formar uma “família Mostra”, segundo a narrativa do livro.

Uma das histórias envolve Quentin Tarantino, que esteve em São Paulo em 1992 com “Cães de Aluguel”. Ainda pouco conhecido no Brasil, passou muitos dias na cidade e assistiu a uma sequência de sessões. Em outro episódio, ocorrido em 1995 após um jantar, convidados estrangeiros tiveram dificuldade para lidar com os motoristas de táxi. O funcionário que ajudava a organizar a saída era Walter Salles, integrante do júri naquele ano e autor do prefácio do livro.

A transformação do trabalho

As memórias mostram ainda como mudaram as ferramentas usadas para montar a programação. Nos primeiros anos, a agenda dos convidados e a chegada das cópias exigiam telex, fax, telefonemas internacionais caros e conexões difíceis. Falar com produtores orientais podia significar ligar às quatro horas da madrugada.

Almeida e Cakoff também viajavam aos grandes festivais de cinema do mundo para negociar a participação dos filmes. Com o tempo, conferências de vídeo e investigações digitais reduziram a necessidade desse tipo de negociação presencial.

A autora relata que, durante muito tempo, o catálogo da Mostra só era impresso quando o evento já estava em andamento. Frequentadores entravam nas salas sabendo, às vezes, apenas que veriam um filme polonês ou húngaro. Nos primeiros 20 ou 30 anos, escolher uma sessão podia ser uma aposta no escuro — e também uma oportunidade de descobrir um filme favorito ou uma obra inesperada.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.