SÃO PAULO — O Rock in Rio substituiu o sertanejo pelo K-pop como principal aposta de experimentação de público em sua programação de 2026. O Stray Kids será o headliner desta sexta-feira, 11, enquanto BTS, BlackPink e Twice também aparecem entre os grupos associados à nova estratégia do festival.
Na edição de 2024, o evento havia criado o Dia Brasil, com Chitãozinho e Xororó como headliners. O sertanejo ocupou o centro da programação e das discussões na Cidade do Rock. Dois anos depois, nenhum artista do gênero está no lineup.
A mudança foi conduzida por Zé Ricardo, curador do projeto, que decidiu priorizar o K-pop, gênero ligado à cultura pop sul-coreana e que reúne fãs em diversos países. Embora tenha grande alcance, o estilo ainda é pouco conhecido por quem não acompanha essa produção. Algumas de suas músicas, porém, já ultrapassaram 1 bilhão de reproduções nas plataformas digitais.
A presença do Stray Kids também funciona como teste comercial. O grupo esgotou duas datas no Estádio Morumbis, em São Paulo, reunindo mais de 120 mil pessoas. No Rio de Janeiro, as apresentações no Estádio Nilton Santos também atingiram a capacidade máxima. Os resultados indicam que há público disposto a comprar ingressos para atrações de K-pop no Brasil.
Comparação com o sertanejo
Artistas sertanejos também lotam estádios e arenas e alcançam públicos superiores a 100 mil pessoas. A diferença apontada na estratégia do festival está no custo de acesso: como são brasileiros, esses cantores costumam participar de shows gratuitos ou com ingressos mais baratos que os do Rock in Rio.
O Barretão, principal festa sertaneja do país, recebe cerca de 35 mil pessoas por dia e reúne diversos artistas do gênero. A programação do Rock in Rio, ao distribuir atrações de K-pop entre os palcos Mundo e Sunset, busca ampliar a diversidade musical e formar novas plateias, sem retirar do sertanejo a condição de um dos maiores gêneros do país.


