DALLAS — A convenção nacional do Partido Republicano terminou com JD Vance ocupando uma posição central ao lado de Donald Trump e apresentando uma mensagem voltada a preços, empregos e educação. A escolha de temas econômicos ampliou a percepção de que o vice-presidente busca se consolidar como possível candidato republicano à Presidência em 2028.
Trump encerrou o evento com um discurso de menos de meia hora, após ter falado por quase duas horas no dia anterior. Ele voltou a pedir que os eleitores votem em novembro como se seu nome estivesse nas cédulas e repetiu a promessa de pagar US$ 5 mil, cerca de R$ 25 mil, a cada adulto americano se o Partido Republicano conquistar a maioria das cadeiras do Congresso.
O presidente não detalhou a origem dos recursos nem a forma de pagamento. Também atribuiu aos democratas a inflação e o aumento da imigração ilegal nos Estados Unidos nos últimos anos. “Se os democratas dominarem, eles vão destruir tudo”, afirmou.
Um discurso com foco doméstico
A imigração, que foi uma das principais bandeiras da campanha republicana de 2024 e do atual governo, apareceu de forma mais limitada na fala de Vance. O vice-presidente afirmou que a administração havia revertido o fluxo de entrada ilegal de estrangeiros. Quando um manifestante mostrou uma bandeira do México, respondeu que ele deveria ir para o país, mas não prolongou o assunto.
Vance também reconheceu a insatisfação de parte do eleitorado com decisões do governo ao pedir que os americanos não entregassem o país a pessoas que considerou desequilibradas por discordarem de uma política específica. Em seguida, afirmou que os democratas são o partido do ódio e disse que os republicanos pretendem oferecer uma vida melhor aos americanos.
A participação de Vance incluiu uma referência à sua mulher, Usha Vance, filha de imigrantes indianos, em uma disputa com Abdul El-Sayed, candidato democrata ao Senado por Michigan. O vice-presidente contestou uma insinuação de El-Sayed sobre a origem familiar de Usha e classificou o episódio como exemplo do que chamou de hostilidade democrata.
Ele também adotou uma formulação diferente da retórica de Trump sobre imigração e cidadania. “Toda criança nasce com o direito de ser americana, não pela forma como ela aparenta ou de onde seus antepassados vieram, mas porque ela é americana”, disse. Trump havia falado, na quarta-feira (9), em assinar uma ordem executiva para restringir a cidadania automática por nascimento em determinados casos.
Conflitos e efeito eleitoral
A guerra contra o Irã, que se estende há meses e pressiona os preços dos combustíveis, quase não apareceu na última noite. Trump havia tratado do conflito no primeiro dia da convenção, mas preferiu mencionar a Venezuela e afirmar que os Estados Unidos haviam tomado o petróleo do país latino-americano.
Ao longo dos dois dias, a liderança republicana concentrou a mensagem em economia, custo de vida, empregos e mobilização da base. Questões como as prisões e deportações em massa de imigrantes e as declarações de Trump sobre territórios estrangeiros, incluindo Groenlândia e Canadá, podem criar dificuldades entre republicanos moderados e eleitores independentes.
A convenção reuniu principalmente eleitores e ativistas alinhados ao movimento MAGA, sigla em inglês para “Faça a América Grande Novamente”. O evento, por si só, deve ter efeito limitado sobre os índices nacionais de aprovação de Trump. Em novembro, o resultado republicano também dependerá das disputas locais e das campanhas para a Câmara e o Senado, enquanto inflação e custo de vida permanecem entre as principais preocupações dos eleitores.


