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Economia

Anúncios de suplementos usam marcas e promessas terapêuticas, diz Abrafarma

Pesquisa aponta infrações em produtos para emagrecimento e ocorre após a Anvisa notificar o Mercado Livre sobre a venda de medicamentos sob receita.

Anúncios de suplementos usam marcas e promessas terapêuticas, diz Abrafarma
Foto: Folhapress

A promessa terapêutica foi a irregularidade mais comum entre os anúncios de produtos para emagrecimento analisados pela Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma). O levantamento registrou 1.186 ocorrências desse tipo, incluindo ofertas que atribuíam a suplementos efeitos de cura, prevenção de doenças ou perda de peso em prazo determinado.

Em 22 anúncios, os próprios títulos informavam quantos quilos seriam eliminados e em quanto tempo. Um deles anunciava uma “cápsula detox seca reduz 30kg em 30 dias”. Também foram identificados produtos apresentados como “remédio para herpes de pele”, além de um óleo de semente de abóbora associado à prevenção do câncer de próstata e de um suplemento de beterraba relacionado à redução do risco de doenças cardíacas e AVC.

Marcas de medicamentos

A pesquisa encontrou ainda 538 produtos que usavam marcas de terceiros. Entre eles estavam suplementos com variações dos nomes Ozempic e Mounjaro. Um anúncio se apresentava como “Monjauro de pobre”; outro prometia “seca 15kg mês” e dizia ser “+ forte q Mounjaro”.

Os medicamentos Ozempic e Mounjaro, à base de semaglutida e tirzepatida, só podem ser vendidos em farmácias com retenção de receita. Pelas normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), suplementos alimentares não podem fazer alegações terapêuticas ou curativas.

A Abrafarma afirma que esse tipo de promessa pode induzir o consumidor ao erro e levá-lo a adiar ou substituir tratamentos com eficácia comprovada. A entidade representa grandes redes de farmácias, que concorrem com plataformas digitais na venda de suplementos e produtos de saúde.

Critérios e resposta da plataforma

A análise considerou 2.624 produtos escolhidos entre 7.067 anúncios coletados de 15 e 19 de junho deste ano. Foram avaliados o conteúdo escrito e as avaliações públicas das ofertas, sem compra dos itens ou realização de testes laboratoriais.

Os suplementos alimentares correspondiam a 90% dos produtos examinados. O grupo restante reunia 51 medicamentos, cremes e adesivos com composição de suplemento e produtos veterinários com substâncias também administradas a humanos, em sua maioria em solução injetável.

Ao todo, 1.865 produtos apresentaram irregularidades. Em 912 casos houve uma infração; em 953, duas ou mais. O cálculo incluiu violações de normas sanitárias e das regras de uso da plataforma, como o uso indevido de marcas.

O Mercado Livre afirmou que não valida nem contesta metodologias de terceiros e que removerá anúncios que violem seus termos e condições. A empresa declarou que os medicamentos vendidos por farmácias na plataforma devem ser regularizados e ter as certificações e autorizações sanitárias exigidas pela Anvisa. “A segurança do consumidor é uma prioridade”, escreveu.

A divulgação do levantamento ocorreu após a Anvisa notificar o Mercado Livre, nesta segunda-feira (28), sobre o anúncio de que a plataforma passaria a vender medicamentos que exigem receita médica. A agência pediu explicações sobre o atendimento às regras sanitárias e documentos que comprovassem a regularidade do serviço.

A Abrafarma informou que pretende encaminhar a pesquisa à Anvisa nos próximos dias. Na semana passada, a associação já havia enviado ofício à agência para questionar a venda de medicamentos sob receita pelo Mercado Livre.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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