A redução de tarifas para parte das importações de carne moída dos Estados Unidos pode fortalecer a participação brasileira no mercado americano, em um momento de dificuldades para os exportadores do país. A medida anunciada por Donald Trump prevê a entrada de até 300 mil toneladas nos próximos 90 dias.
O Brasil enfrenta restrições na China e na Europa, enquanto a demanda americana ganhou importância. Em agosto, os Estados Unidos se tornaram o principal comprador de carne bovina brasileira, e a nova política tende a preservar essa posição nos próximos meses.
"Essa mudança será útil para o Brasil —muito útil", disse Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado. Segundo ele, os Estados Unidos também têm interesse direto na medida porque precisam ampliar a oferta de carne.
Os preços da carne moída no varejo americano atingiram novamente um recorde em agosto, conforme dados do governo divulgados na sexta-feira (11). A alta foi associada à pequena oferta de gado e passou a atrair a atenção das autoridades antitruste para o setor de processamento, considerado altamente concentrado.
Pressão sobre o mercado americano
Em um evento na Casa Branca, Trump criticou o que chamou de monopólio dos frigoríficos e destacou a influência brasileira no mercado. Entre as maiores empresas citadas estão Tyson Foods Inc., Cargill Inc., JBS NV e National Beef.
O presidente se reuniu com o empresário brasileiro Joesley Batista em 20 de agosto, um dia antes de anunciar a flexibilização tarifária, conforme uma pessoa familiarizada com o encontro. A fonte pediu anonimato porque o assunto era confidencial. Batista integra a família fundadora da JBS. A Casa Branca não se pronunciou, e a J&F SA recusou-se a comentar.
A medida também contempla fornecedores de outros países, mas analistas da XP Inc. estimam que o Brasil possa responder por até dois terços do volume. O país fornece uma carne magra em falta nos Estados Unidos, segundo Wagner Yanaguizawa, do Rabobank.
Na China, foram impostas cotas e adotadas medidas de proteção aos produtores locais. Na União Europeia, regras mais rígidas para o uso de antimicrobianos na pecuária dificultaram o atendimento das exigências por exportadores brasileiros. Para Felipe Fabbri, da Scot Consultoria, a redução tarifária ocorre em um momento oportuno para o setor brasileiro.


