Donald Trump assinou nesta sexta-feira (4) decretos para apoiar pecuaristas diante dos preços recordes da carne bovina nos Estados Unidos. As medidas permitem ações de proteção contra lobos cinzentos, facilitam o processamento e a venda de alimentos produzidos nas próprias propriedades e tratam da identificação do país de origem da carne.
Durante a cerimônia no Salão Oval, Trump afirmou que as novas regras também buscam ampliar o apoio a frigoríficos de menor porte e reduzir a concentração no setor. O decreto sobre a rotulagem, porém, não restabelece a obrigatoriedade da informação. O presidente disse que serão necessárias medidas adicionais, incluindo a aprovação do Congresso, para ampliar os dados disponíveis aos consumidores. “Será fácil”, afirmou.
A medida sobre os lobos atende a uma reivindicação antiga de pecuaristas, que relatam ataques ao gado, principalmente a bezerros. Segundo eles, as perdas elevam os gastos com monitoramento e proteção dos rebanhos. Os lobos-cinzentos permanecem protegidos pela Lei Federal de Espécies Ameaçadas de Extinção em grande parte do país, com diferenças nas regras conforme a região.
Pressão sobre a oferta
Os preços da carne bovina no varejo chegaram a níveis recordes neste ano, enquanto o rebanho dos Estados Unidos recuou ao menor patamar em 75 anos. Secas e incêndios florestais reduziram a oferta de gado e aumentaram a pressão sobre a política do governo, que tenta conter os gastos dos consumidores sem prejudicar os pecuaristas.
Na semana passada, o governo ampliou temporariamente em 300 mil toneladas a cota de importação de carne bovina magra com tarifas reduzidas. A justificativa foi aumentar a oferta e reduzir os preços. Pecuaristas se opuseram à medida, argumentando que as importações podem pressionar o valor do gado nos Estados Unidos e desestimular a recomposição do rebanho.
A identificação da origem também é alvo de disputa. O Congresso revogou, em 2015, a exigência de rotulagem para carnes bovina e suína após decisões da Organização Mundial do Comércio relacionadas a contestações do Canadá e do México. Atualmente, as empresas podem usar voluntariamente o rótulo “Produto dos EUA” se cumprirem as exigências federais.
O governo tenta conciliar a ampliação das importações, apresentada como uma forma de aliviar os consumidores, com medidas para recompor o rebanho e facilitar que pecuaristas processem o próprio gado. Produtores afirmam que novas compras externas podem reduzir os incentivos à expansão da produção nacional.


