O Brent atingiu US$ 98,05 nesta segunda-feira (7), no maior nível desde 8 de junho, quando chegou a US$ 98,08. O avanço ocorreu em meio ao aumento da tensão militar entre Estados Unidos e Irã e a novos ataques contra embarcações e instalações ligadas ao petróleo.
O contrato de novembro do Brent, referência mundial, encerrou o pregão a US$ 97,31, com alta de 1,07%. Na máxima, a valorização foi de 1,84%. Os contratos fecharam cerca de uma hora antes do horário habitual por causa do feriado do Dia do Trabalho nos Estados Unidos. No início da noite, o WTI era negociado a US$ 92,70 por barril, sem liquidação na segunda-feira.
Nesta manhã, as instalações da Saudi Aramco em Jizan, na Arábia Saudita, foram atingidas novamente. Os houthis, aliados de Teerã no Iêmen, já haviam atacado a refinaria da companhia no começo de agosto. Uma pessoa a par do episódio afirmou que o ataque teve proporções semelhantes às do mês passado. A Saudi Aramco não respondeu ao pedido de informações, e os houthis não reivindicaram a ação até o momento.
A refinaria tem capacidade para processar 400 mil barris de petróleo por dia e está entre as maiores da Arábia Saudita. O novo episódio aumentou a preocupação dos investidores com possíveis interrupções no fluxo global da commodity.
No sábado (5), forças dos Estados Unidos atacaram três petroleiros iranianos, informou o Comando Central dos Estados Unidos. Um deles estava próximo à Ilha Kharg, principal polo de exportação de petróleo do Irã. A ação ocorreu depois de ataques do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã contra navios de guerra americanos.
A Marinha da Guarda Revolucionária afirmou ter atingido, no mesmo dia, três petroleiros em rotas não autorizadas no estreito, além de outras três embarcações americanas. Os navios iranianos eram Downy, Stark I e Kylo, também conhecido como Noxen, segundo a Marisks.
O tráfego pelo estreito de Hormuz também recuou. Dados da Kpler indicam média de dez navios de carga por dia nos últimos dez dias, o menor nível desde maio. A média móvel foi de dez embarcações no domingo (6), contra mais de 15 na sexta-feira (4) e quase 13 no sábado (5). Duas embarcações passaram no sábado e seis no domingo, a maioria pela rota iraniana.
A Maersk classificou os ataques de sábado como uma "grande escalada do conflito marítimo". Desde 6 de julho, 27 incidentes com impactos de projéteis danificaram embarcações no Estreito de Ormuz e em seus arredores, segundo a UK Maritime Trade Operations. No domingo, um superpetroleiro e três graneleiros entraram no estreito. Um petroleiro que tentava sair precisou retornar, e nenhum superpetroleiro deixou a passagem desde quarta-feira, conforme dados da Kpler e da LSEG.


