A disputa pelo Senado dos Estados Unidos ganhou novos campos de batalha nos últimos meses, com Texas, Iowa, Alasca e Ohio entre os estados que passaram a receber atenção dos partidos. No Texas, o republicano Ken Paxton enfrentará o democrata James Talarico, em uma corrida que pode alterar o mapa de uma eleição tradicionalmente favorável aos republicanos.
A votação de novembro definirá o espaço político de Donald Trump nos dois últimos anos de seu mandato. O presidente conta hoje com maiorias republicanas na Câmara e no Senado, mas a vantagem é estreita e pode ser modificada pela perda de poucas cadeiras.
Senado concentra disputas ampliadas
Os democratas precisam conquistar quatro cadeiras líquidas para controlar o Senado. Das 35 disputas previstas para este ano, apenas nove são consideradas competitivas por analistas independentes, conforme levantamento da Reuters. A oposição também terá de proteger seus próprios assentos, especialmente em Michigan, onde Abdul El-Sayed e o republicano Mike Rogers disputam uma corrida acirrada.
Uma derrota democrata em um estado atualmente controlado pelo partido aumentaria o número de cadeiras que a oposição teria de conquistar para chegar à maioria. No Texas, a entrada da disputa no grupo de corridas competitivas é uma das principais surpresas do ciclo. O estado não elege um senador democrata desde 1988.
Na Câmara, todas as 435 cadeiras estarão em disputa, mas a definição da maioria deve se concentrar em cerca de 50 distritos considerados competitivos. Os democratas precisam obter três cadeiras líquidas para assumir o controle da Casa, hoje comandada pelos republicanos.
Preços pesam sobre os eleitores
A economia aparece como o principal tema de interesse dos eleitores. Em pesquisa do Pew Research Center realizada em julho, 29% dos eleitores registrados disseram querer ouvir os candidatos discutirem questões econômicas, sem que lhes fosse apresentada uma lista de alternativas. Custo de vida e preços foram citados especificamente por 15%.
O custo de vida também foi apontado como o principal fator para a decisão de voto por 47% dos eleitores registrados em levantamento Reuters/Ipsos realizado entre os dias 28 e 31 de agosto. Na mesma pesquisa, 71% desaprovaram a maneira como Trump lida com o tema, enquanto 22% aprovaram.
A aprovação do presidente chegou a 33%, o menor nível de seu segundo mandato, segundo levantamento Focaldata/Financial Times. O mesmo índice foi apontado pelo Instituto Ipsos em meados de agosto.
Questionado na semana passada sobre a responsabilidade dos republicanos pela preocupação dos eleitores com os preços da gasolina e da energia, o vice-presidente J. D. Vance atribuiu a inflação às políticas do governo Joe Biden. Ele afirmou que as ações da atual gestão precisam de tempo para produzir resultados e citou cortes de impostos, investimentos em novas fábricas e redução dos preços de medicamentos.
“Como o problema de inflação dos EUA não foi criado em um dia, leva um pouco de tempo para reconstruir as bases da economia da classe média americana”, afirmou Vance.
Trump entra diretamente na campanha
A participação direta de Trump na campanha republicana deve marcar esta semana. Na quarta (9) e na quinta-feira (10), o partido fará em Dallas sua primeira convenção voltada especificamente para uma eleição de meio de mandato. O encontro, chamado de “Trump-a-palooza”, terá discursos do presidente e de Vance, além da presença de lideranças republicanas e candidatos de disputas relevantes pelo Congresso.
Na segunda-feira (7), no Dia do Trabalho, Trump afirmou em sua rede social: “Vamos vencer as eleições de meio de mandato, e por muito”. Na mesma publicação, atacou os democratas e disse que os adversários fariam uma “última tentativa” de “arruinar os Estados Unidos”. O feriado americano costuma marcar o início da reta final das campanhas.
Na pesquisa do Pew, 42% dos eleitores registrados disseram enxergar o voto para o Congresso como uma escolha contra Trump, enquanto 22% o consideraram um voto a favor do presidente. Outros 35% afirmaram que ele não seria relevante para sua decisão. Entre os demais temas citados espontaneamente estiveram reformas no governo (9%), imigração (7%), saúde (5%), política externa (4%) e o próprio Trump (4%).
Desde 1938, o partido do presidente perdeu cadeiras na Câmara em 20 das 22 eleições de meio de mandato. Uma eventual vitória democrata neste ano daria ao partido o comando das comissões da Casa, com poder para abrir investigações, convocar integrantes do governo e dificultar a aprovação de partes da agenda legislativa de Trump.


