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Economia

Disputa por diesel russo chega a quase R$ 4 bilhões no Brasil

Parceria entre Coral Energy e Dia 33 terminou em ações judiciais no Brasil e arbitragem internacional em Dubai.

Disputa por diesel russo chega a quase R$ 4 bilhões no Brasil
Foto: AFP

A importação de diesel russo para o Brasil deu origem a uma disputa empresarial internacional que envolve quase R$ 4 bilhões. O conflito opõe a brasileira Dia 33 à Coral Energy, companhia sediada em Dubai e com origem no Azerbaijão, posteriormente rebatizada como 2Rivers.

A Rússia passou a redirecionar suas exportações depois que a União Europeia aprovou sanções ao petróleo russo e a seus derivados, em dezembro de 2022. Até agosto deste ano, 11% do diesel russo exportado teve o Brasil como destino, enquanto 12% foi para a China e 26%, para a Turquia.

O país se tornou a principal fonte do produto importado pelo Brasil. O mercado brasileiro compra 30% do diesel consumido no exterior, e a Rússia respondeu por 90% das importações em abril deste ano. O fluxo diminuiu depois de ataques ucranianos contra refinarias russas.

Empresas e sanções

Com a crise de abastecimento, Vladimir Putin impôs um veto às exportações no fim de junho, medida que continuou sendo renovada. Em agosto, os Estados Unidos passaram a responder por 74% do mercado brasileiro, enquanto não houve chegada de diesel russo ao país naquele mês.

O governo federal calcula que tenham sido importados cerca de R$ 99 bilhões em diesel russo durante o período, em valores ajustados. A operação envolvia empresas comercializadoras de commodities e navios submetidos a sanções ocidentais, mas era permitida porque o Brasil não havia adotado proibições.

A Coral Energy chegou a controlar 80% das vendas por meio de subsidiárias e empresas associadas, segundo estimativas de mercado. A partir do fim de 2024, o grupo foi alvo de sanções europeias por ultrapassar o limite aceito para pagamentos de petróleo e derivados russos. Depois da mudança para o nome 2Rivers, a empresa iniciou o desmonte e o remanejamento de suas operações.

Uma operadora brasileira ligada ao grupo foi incluída em um pacote de sanções britânicas no começo deste ano. A empresa nega irregularidades. Um dos fundadores da Coral, Tahir Garayev, também negou participação em ilegalidades.

Ações judiciais

No começo de 2024, a Coral firmou uma parceria comercial com a Dia 33, grupo controlado no Brasil pelo russo Igor Soglaev. O acordo previa a divisão dos lucros obtidos com o diesel russo, mas foi encerrado poucos meses depois.

A Dia 33 acusa a Coral de atrair seus principais executivos para uma operação paralela e de utilizar clientes, escritórios e estrutura da empresa antes do fim da joint venture. A companhia pede R$ 138 milhões de indenização. As acusações são analisadas em uma ação na Justiça paulista e em um inquérito policial na capital.

A empresa brasileira afirma ainda que a Coral concedeu descontos com conhecimento de sua política de preços e promoveu uma campanha de difamação que afastou clientes. Ex-funcionários chegaram a ocupar um escritório da Dia 33 em São Paulo. A 3ª Vara Empresarial da capital apontou indícios de concorrência desleal e tentou restringir, no ano passado, ações ligadas à Coral.

A defesa dos acusados nega irregularidades. Fernando Galera, ex-diretor de operações, afirmou que o caso resultou de uma discussão societária relacionada a uma minuta de acordo que não foi concluída.

A Coral acusa a Dia 33 de apropriação indébita de uma carga de diesel e pediu, em processo no Paraná, o bloqueio de R$ 133 milhões da concorrente. A liminar foi negada. A Dia 33 sustenta ter acumulado perdas com dívidas trabalhistas e armazenamento de combustível, citando até R$ 800 milhões em débitos. Empresas do grupo pediram recuperação judicial, mas o pedido foi negado em julho deste ano.

A arbitragem no Centro Internacional de Arbitragem de Dubai é uma das principais frentes do conflito. A Dia 33 busca US$ 703 milhões (R$ 3,7 bilhões) em ressarcimento à Coral/2Rivers. Em meados deste ano, a entidade determinou o arresto de bens dos acusados durante a análise do processo, decisão confirmada por órgão equivalente em Hong Kong.

A dissolução da 2Rivers e sua exposição internacional podem dificultar o cumprimento de eventuais decisões favoráveis à Dia 33. O caso se soma a investigações sobre fraude tributária envolvendo o Grupo Refit e ao uso de empresas fantasmas pelo PCC para comprar e revender diesel russo em redes de postos de combustíveis.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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